BRASIL QUILOMBOLA
Maioria dos quilombolas de Alagoas reside fora de seu território
Estado possui 70 comunidades certificadas e outras duas em análise de reconhecimento
A maioria dos quilombolas de Alagoas reside fora de seus territórios oficialmente delimitados. Apenas 2% da população quilombola do estado vive em terras demarcadas, enquanto que 98% estão fora desses territórios, morando em áreas urbanas e rurais. No total existem 37.724 quilombolas no estado.
Os dados são do Censo do IBGE 2022, que aponta que o município de Penedo possui a maior população quilombola em Alagoas, com 5.280 pessoas que se identificam como tal, representando 9% da população da cidade.
No Brasil, a população quilombola é de 1.330.186 pessoas (0,66%), distribuídas em 1.769 municípios, 24 estados e no Distrito Federal.
O Iteral (Instituto de Terras de Alagoas) reforça essa informação ao apontar que atualmente Alagoas conta com 71 comunidades quilombolas, sendo 70 certificadas e uma titulada. O estado possui, ainda, duas comunidades em processo de cadastramento, os sítios Balde e Aguazinha, ambos em Inhapi.
Esta é a primeira vez que a população quilombola foi identificada enquanto grupo étnico, num censo de população, o mais importante retrato demográfico, geográfico e socioeconômico do país.
A pesquisa aponta que as comunidades certificadas na Região do Alto Sertão alagoano são: Barro Preto, Burnio, Cal, Lagoa das Pedras, Malhada Vermelha, Melancias, Mundumbi, Povoado Moreira de Baixo, Povoado da Cruz, Saco dos Mirandas, Serra das Viúvas, Sítio Alto das Negras, Sítio Laje, Sítio Queimadas, Sítio Rolas, Tupete e Alto das Capelas.
A Região do Médio Sertão conta com: Aguazinha, Alto da Boa Vita, Alto da Madeira, Alto do Tamanduá, Caboclo, Cacimba do Barro, Chifre do Bode, Gameleiro, Guarani, Jorge, Jacu, Paus Pretos, Poço do Sal, Povoado Baixa, Povoado Porção, Povoado Ribeiras, Santa Filomena, Serrinha dos Cocos, Sítio Lagoa do Algodão, Vila Santo Antônio, Caititu, Santa Luzia do Sítio Baixio Tamanduá, Mocó e Serra da Mandioca.
A Região Planalto da Borborema conta com sete comunidades: Guaxinin, Gurgumba, Povoado Tabacaria, Puxinanã, Sabalangá, Serra dos Bangas e Sítio Serra Verde.
Fazem parte da Região Agreste as localidades de: Belo Horizonte, Cajá dos Negros, Carrasco, Lagoa do Coxo, Lagoa do Tabuleiro, Mameluco, Mumbaça, Passagem do Vigário, Pau d’Arco, Poços do Lunga, Uruçu e Sítio Novo.
Na Região Baixo do São Francisco estão: Oiteiro, Palmeira dos Negros, Íxaim, Sapé e Tabuleiro dos Negros.
Já Abobreiras, Birrus e Jaqueiras estão localizadas na Região Tabuleiro do Sul.
E Quilombo faz parte da Região Metropolitana.
A Região Serrana dos Quilombos possui: Filús, Jussarinha, Mariana e Muquém.
As comunidades de Bom Despacho, Macuca e Perpétua estão localizadas na Região Norte do estado.
Dos 102 municípios alagoanos, 53 possuem quilombolas em sua população. Penedo aparece na primeira colocação (5.280), seguido de Água Branca com 1.908 quilombolas.
Anadia possui 163, Arapiraca 2.128, Batalha 329, Belém 138, Belo Monte 38, Boca da Mata 40, Cacimbinhas 873, Canapi 759, Carneiros 974, Coité do Nóia 380, Coruripe 81, Craíbas 16, Delmiro Gouveia 210, Dois Riachos 314, Estrela de Alagoas 49, Girau do Ponciano 65, Igaci 592, Igreja Nova 1.809, Inhapi 183, Jacaré dos Homens 1.252, Japaratinga 104, Maceió 21, Major Isidoro 402, Maravilha 10, Mata Grande 627, Matriz de Camaragibe 136, Monteirópolis 793, Olho d’Água das Flores 794, Olho d’Água do Casado 442, Olivença 155, Palestina 1.372, Palmeira dos Índios 476, Pão de Açúcar 762, Pariconha 798, Passo de Camaragibe 1.290, Piaçabuçu 114, Piranhas 464, Poço das Trincheiras 1.945, Porto Calvo 10, Porto Real do Colégio 67, Santa Luzia do Norte 1.057, Santana do Ipanema 967, Santana do Mundaú 529, São Brás 14, São José da Tapera 1.540, Senador Rui Palmeira 247, Taquarana 850, Teotônio Vilela 307, Traipu 2.938, União dos Palmares 561 e Viçosa 351.
Os estados de Roraima e Acre não possuem pessoas declaradas quilombolas, segundo o estudo. A Bahia tem a maior população declarada, com 397.502.
A Região Nordeste é a que tem maior população quilombola com 90.337 (68,14%); o Sudeste tem 182.427 (13,71%); o Norte, 167.311 (12,58%); o Centro-Oeste, 44.997 (3,38%); e o Sul, 29.114 (2,19%).
Outros fatores importantes detectados durante o censo foram em relação ao saneamento básico: 90,02% dos moradores quilombolas em domicílios particulares permanentes convivem com alguma forma de precariedade, desde abastecimento de água, destinação do esgoto ou coleta de lixo.
Na educação, muito ainda há a fazer. Das 1.015.034 pessoas quilombolas com 15 anos ou mais de idade que viviam dentro e fora de territórios oficialmente delimitados, 81,01% (822.319 pessoas) eram alfabetizadas. Mas ainda existem 192.715 (18,99%) analfabetos.
As mulheres (82,89%) apresentam taxa de alfabetização superior à dos homens (79,11%).
Vale ressaltar que o IBGE considera quilombola a pessoa que se autoidentifica dessa forma, e este é o único critério de identificação utilizado no levantamento.
O recenseamento quilombola contou com duas perguntas destinadas à população. Primeiro, o informante deveria responder: “Você se considera quilombola?”. E, em caso afirmativo, foi feito o questionamento: “Qual o nome da sua comunidade?”.
Fique sabendo
O maior quilombo registrado no país foi o Quilombo dos Palmares, que era formado por um conjunto de 10 quilombos menores (mocambos) próximos, e a sede administrativa ficava na Serra da Barriga, União dos Palmares, Alagoas.
O local chegou a ter população estimada em 20 mil habitantes no século XVII, e resistiu durante quase 100 anos (1600–1695).
Apesar de sua importância histórica por ter abrigado o mais famoso quilombo, União dos Palmares tem baixa ocupação quilombola. Apenas 561 pessoas se autodeclararam quilombolas, o que representa menos de 1% da população total daquele município.
A cidade está em 37º lugar entre os 53 municípios alagoanos com população quilombola.



