Conteúdo do impresso Edição 1366

IPC MAPS

Classe C lidera consumo no Brasil e Alagoas sobe no ranking nacional com mercado de R$ 82,4 bilhões

Estado avança para a 20ª posição, enquanto Maceió perde duas colocações entre os maiores mercados consumidores brasileiros
Divulgação
Maceió perde duas colocações entre os maiores mercados consumidores brasileiros
Maceió perde duas colocações entre os maiores mercados consumidores brasileiros

O potencial de consumo dos alagoanos deve movimentar R$ 82,4 bilhões em 2026, segundo o novo levantamento do IPC Maps, principal estudo nacional sobre potencial de consumo no país. Com isso, Alagoas subiu uma posição no ranking nacional e agora ocupa o 20º lugar entre os estados brasileiros com maior capacidade de consumo. O estado também alcançou a marca de 237.963 empresas ativas, refletindo o avanço da atividade econômica e da formalização de negócios.

Apesar do desempenho estadual positivo, a capital alagoana perdeu força no cenário nacional. Maceió caiu oito posições no ranking dos 50 maiores mercados consumidores do Brasil e aparece agora na 28ª colocação nacional, com IPC de 0,41570 e potencial de consumo estimado em R$ 35,7 bilhões.

Os dados fazem parte da edição 2026 do IPC Maps, estudo elaborado há mais de 30 anos pela IPC Marketing Editora e considerado uma das principais referências sobre consumo e comportamento econômico do país.

O levantamento revela ainda uma mudança histórica no perfil econômico brasileiro: pela primeira vez, a Classe C lidera o potencial de consumo nacional, impulsionada pelo aumento do poder de compra e pela migração de famílias das classes D e E — e também da classe B — para a faixa intermediária da economia.

Segundo o estudo, o Brasil deverá movimentar R$ 8,6 trilhões em consumo ao longo de 2026, crescimento considerado tímido, de 2,3%, em um cenário marcado por juros elevados, inflação pressionada, conflitos internacionais e desaceleração econômica.

De acordo com o pesquisador Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, o desempenho mais moderado da economia reflete diretamente os efeitos da política monetária restritiva adotada no país.

“A Classe C passa a liderar o consumo porque houve uma dupla movimentação social: famílias das classes D e E melhoraram de renda e migraram para a C, enquanto parte da antiga classe B perdeu poder aquisitivo e também passou a integrar esse grupo”, aponta o estudo.

Hoje, a Classe C representa 49,7% dos domicílios brasileiros e deverá responder sozinha por cerca de R$ 2,6 trilhões em gastos — o equivalente a 36,9% de tudo o que será consumido no país em 2026.

Já a Classe B, que historicamente liderava o consumo nacional, caiu para 36,3% da participação, mesmo ainda movimentando quase R$ 3 trilhões. As classes D e E concentram 27% das moradias brasileiras e devem movimentar R$ 737,9 bilhões. Já a Classe A, embora represente apenas 3,3% das famílias, responderá por 17,5% do consumo nacional, cerca de R$ 1,2 trilhão.

Interior alagoano ganha espaço

Além de Maceió, outros municípios alagoanos aparecem entre os destaques estaduais no ranking de potencial de consumo. Na sequência da capital estão Arapiraca, Rio Largo, Marechal Deodoro, Palmeira dos Índios, Penedo, São Miguel dos Campos, União dos Palmares, Delmiro Gouveia e Coruripe.

Os números mostram um fortalecimento gradual dos polos regionais do interior, principalmente cidades ligadas ao comércio, agronegócio, serviços e administração pública.

Na outra ponta do ranking estadual aparece Pindoba, considerada a cidade com menor potencial de consumo em Alagoas. O município ocupa a 102ª posição estadual e a 5.487ª colocação nacional, com IPC de apenas 0,00062 e potencial de consumo estimado em R$ 53 milhões.

Em seguida aparecem Mar Vermelho, Olho d’Água Grande, Palestina, Belo Monte, Feliz Deserto, Jaramataia, Minador do Negrão, Jundiá e Jacuípe.

O estudo também aponta mudanças no mapa econômico brasileiro. O Nordeste perdeu participação no mercado consumidor nacional e caiu para a terceira colocação entre as regiões brasileiras, atrás do Sudeste e do Sul.


A Região Sudeste continua liderando com 49% de participação no consumo nacional. O Sul retomou a vice-liderança com 18,48%, enquanto o Nordeste caiu para 17,75%.

Segundo o IPC Maps, o endividamento das famílias e a redução do fluxo de turistas nacionais ajudaram a diminuir o ritmo de crescimento do consumo nordestino.

Ainda assim, as capitais e regiões metropolitanas seguem concentrando boa parte da economia brasileira. As 27 capitais respondem hoje por 28% do consumo nacional, enquanto as regiões metropolitanas concentram 45,2% de tudo o que será movimentado no país.

Mesmo diante do avanço dos gastos essenciais, os brasileiros continuam priorizando despesas com veículos próprios. Segundo o levantamento, os gastos com automóveis devem movimentar R$ 939,6 bilhões em 2026, consumindo 11,6% do orçamento familiar.

A maior fatia das despesas continua ligada à habitação, responsável por 25,3% dos gastos das famílias brasileiras. Em seguida aparecem serviços gerais e outras despesas (18,6%), alimentação dentro de casa (10,4%), saúde e medicamentos (6,7%) e alimentação fora do lar (4,6%).

O estudo mostra ainda que o Brasil possui atualmente 214,2 milhões de habitantes, sendo 187,5 milhões vivendo em áreas urbanas. Nessas regiões, o consumo per capita chega a R$ 43 mil por ano — mais que o dobro do registrado na zona rural, estimado em R$ 20,1 mil.

Outro dado relevante é o crescimento do número de empresas no país. Entre abril de 2025 e abril de 2026, o Brasil registrou alta de 10,9% no total de empresas ativas, chegando a 27,7 milhões de negócios formalizados.

Os Microempreendedores Individuais (MEIs) seguem liderando esse avanço e já representam mais de 59% das empresas brasileiras, com 16,4 milhões de registros ativos.


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