ENTREVISTA
Alex Bruno vive fase goleadora e coloca o ASA no mapa da artilharia nacional
Atacante que desembarcou em Alagoas esse ano já tem média de quase um gol por jogo com a camisa alvinegra
O principal artilheiro do futebol brasileiro em 2026 não atua em nenhuma das três primeiras divisões nacionais. Natural de Brasília-DF, o atacante Alex Bruno atravessa a principal fase da carreira com a camisa do ASA.
Aos 27 anos, o centroavante soma 21 gols em 26 partidas na atual temporada e está a apenas dois de ultrapassar Lúcio Maranhão como maior artilheiro do clube em um único ano no século XXI. A marca atual pertence a Lúcio, que marcou 22 vezes em 2012. No ranking da artilharia, o camisa 9 do Fantasma é o líder e aparece na frente de atacantes renomados como Pedro, Flaco Lopez, Calleri e Carlos Vinícius
A eficiência do atacante também reflete no desempenho do time na Série D. Até o momento, o time arapiraquense ocupa a segunda colocação do grupo B com 14 pontos, sendo quatro vitórias, duas derrotas e dois empates.
As atuações do jogador também despertaram interesse de outros clubes. O ASA comprou os direitos econômicos do atleta e renovou o contrato até 2029. A diretoria alvinegra informou que só abre negociação a partir de uma proposta de 1 milhão de dólares, valor que supera R$ 4,9 milhões na cotação atual.
Alex Bruno passou pelas categorias profissionais de clubes como Vitória das Tabocas, Noroeste, Grêmio Anápolis e Carlos Renaux antes de atuar no futebol uruguaio, onde defendeu o Plaza Colonia nas últimas três temporadas. Em entrevista ao EXTRA, o atacante falou sobre o melhor momento da carreira, a experiência no exterior, a disputa por marcas históricas e o foco no acesso do ASA à Série C.
JORNAL EXTRA- Você sente que vive o melhor momento da sua carreira?
ALEX BRUNO - Acredito que sim. Estou vivendo o meu melhor momento na carreira. Estou feliz, contente e, graças a Deus, venho sendo abençoado nesta temporada com a camisa alvinegra.
JE- O que mudou no Alex Bruno para essa sequência de gols e essa fase atual?
AB- A principal mudança foi a experiência que tive no Uruguai. Essa passagem internacional mudou muito minha visão como atleta e como profissional. Acho que no Brasil ainda temos que evoluir nesse aspecto. O futebol sul-americano tem uma intensidade muito alta, principalmente na primeira divisão uruguaia. Isso facilitou meu modo de jogar quando voltei para o Brasil. Retornei mais intenso e, pelas minhas características físicas, como altura e força, consegui me tornar um jogador mais completo.
JE- Além da intensidade, existe outra diferença entre o futebol uruguaio e o brasileiro?
AB- Sim. O jogo de contato e os duelos são muito fortes lá. No Uruguai, cada duelo tem muita importância. Quando você vence um, ganha confiança para o restante da partida. Aqui no Brasil também é assim, mas lá isso é ainda mais presente. Essa experiência me ajudou bastante.
JE- Existe algum atacante em quem você se inspira ou observa mais os movimentos?
AB- Eu procuro tirar um pouco de cada atacante. Como sou um centroavante de porte físico maior, tento observar jogadores que tenham características diferentes das minhas, principalmente movimentação e velocidade. Olho bastante para o Ronaldo, pela mobilidade que tinha Também observo pivôs bem feitos e jogadores com chute forte, como o Adriano. Tento pegar essas referências e desenvolver no meu jogo.
JE- Faltam dois gols para você ultrapassar Lúcio Maranhão como maior artilheiro do ASA em um ano. Isso aumenta a responsabilidade ou serve mais como motivação?
AB- Serve como motivação. Fico feliz por estar desempenhando esse futebol e alcançando esses números no ASA. E fico ainda mais motivado por estar perto de uma marca importante. Todo atleta gosta de ter metas para conquistar e faz o possível para alcançá-las.
JE- O que significaria para você ultrapassar um jogador como Lúcio Maranhão, que é ídolo da torcida do ASA?
AB- Seria algo muito importante. Desde o primeiro momento em que cheguei, me dediquei bastante ao clube. O ASA tem uma torcida forte, tradição no futebol e valoriza muito o centroavante. É um time que joga muito para essa posição, e isso também facilita para quem atua ali na frente.
JE- Além da disputa pela artilharia do ASA, qual é o sentimento de estar entre os principais artilheiros do Brasil na temporada?
AB- É um sentimento muito gratificante. Venho de uma experiência fora do país e muita gente aqui não conhecia meu trabalho. Então, chegar ao Nordeste, que é a minha terra, e poder representar a região entre os artilheiros do Brasil me deixa muito feliz. É importante mostrar que o Nordeste continua revelando jogadores de qualidade. Isso me motiva bastante.
JE- O clube afirmou que só analisa propostas acima de um milhão de dólares por você. O foco segue 100% no ASA para o restante da Série D?
AB- Com certeza. Meu foco sempre foi 100% no ASA, que foi o clube que acreditou no meu potencial. Essa parte de propostas eu deixo nas mãos da diretoria e das pessoas responsáveis pelo meu passe. Meu trabalho é seguir treinando bem e focado no principal objetivo do clube, que é conquistar o acesso para a Série C.



