Conteúdo do impresso Edição 1375

ELEIÇÕES 2026

JHC será o protagonista oculto da convenção de Arthur Lira

Deputado federal confirmou possibilidade de lançar candidatura própria ao governo de Alagoas
Arthur Lira e JHC foram aliados durante toda a gestão do ex-prefeito no Executivo municipal
FACEBOOK JHC
FACEBOOK JHC

A convenção da Federação União Progressista, marcada para este domingo, 2 de agosto, deve oficializar Arthur Lira como candidato ao Senado, mas a maior expectativa estará na definição sobre o Governo de Alagoas. O encontro poderá revelar se o grupo seguirá tentando compor com JHC ou se apresentará uma candidatura própria.

A confirmação de Lira ao Senado não é vista como novidade. O deputado já havia anunciado essa intenção meses antes, durante umato político realizado na Jatiúca, em Maceió, com apoiadores, lideranças e presença da imprensa.

Dessa forma, a convenção ganha menos importância pela homologação do nome de Lira e mais pelo rumo que o bloco adotará na
disputa pelo Palácio República dos Palmares. JHC, embora não integre a federação, será o principal personagem das interpretações em torno do evento.

O ex-prefeito de Maceió permanece no centro das articulações da oposição. Sua eventual candidatura ao governo é considerada decisiva para a montagem das chapas, principalmente por envolver também os nomes que disputarão as duas vagas de Alagoas no Senado.

Lira já declarou publicamente que não possui impedimentos para formar uma aliança com JHC. Ao mesmo tempo, afirmou que PP,
União Brasil e partidos aliados poderão lançar um nome próprio ao governo caso a composição não seja concretizada.

“Eu não tinha dúvidas que ele iria levar isso (indefinição) até o último momento, que é a convenção. Agora, se por acaso isso não
acontecer, nós do União Progressista e dos partidos que estamos trabalhando provavelmente vamos ter um candidato próprio”,
disse Lira em entrevista para a Rádio Jovem Pan Maceió na última semana.

A fala aumentou a expectativa sobre a convenção. Um anúncio para o governo representaria uma mudança de estratégia do grupo, que até agora manteve JHC como principal alternativa para liderar um palanque de oposição ao MDB no estado.

A ausência de uma definição também terá significado político. Nesse caso, a federação poderá concentrar o evento na candidatura de Lira e nas chapas proporcionais, mantendo as negociações majoritárias em andamento durante os últimos dias do calendário partidário.

JHC deixou o PL no fim de março, após perder o comando estadual da legenda, e assumiu a direção do PSDB em Alagoas. Desde então, passou a conduzir as próprias articulações para organizar uma chapa que contemple seus aliados e seus objetivos eleitorais.

Entre os pontos que dificultam a composição está o interesse de JHC na reeleição da senadora Eudócia Caldas, sua mãe. A pretensão interfere diretamente na formação da chapa ao Senado, que já reúne Lira e Alfredo Gaspar entre os nomes do campo oposicionista.

Além de Lira, o deputado federal Alfredo Gaspar é apontado pelo PL como candidato ao Senado. Os dois disputam espaço no mesmo campo político e mantêm diálogo com o bolsonarismo. Essa sobreposição aumenta o peso da escolha para o governo, responsável por organizar o palanque e acomodar, já na campanha, os interesses dos partidos aliados.

Sem uma definição para o governo, PP e União Brasil precisam equilibrar diferentes interesses. O grupo busca uma candidatura competitiva ao Executivo e, ao mesmo tempo, uma configuração capaz de acomodar os partidos e lideranças envolvidos na disputa majoritária.

O cenário tem como principal adversário o senador Renan Filho, pré-candidato do MDB ao Governo de Alagoas. Ex-governador e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele deverá liderar o palanque governista na eleição estadual.

A convenção deste domingo também homologará as chapas de candidatos a deputado federal e estadual. A previsão é de que o evento reúna prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e caravanas de diferentes municípios alagoanos.

Apesar dessa estrutura, o ponto de maior interesse permanecerá na chapa para o governo. O nome escolhido, ou a decisão de adiar o anúncio, indicará qual estratégia a Federação União Progressista pretende adotar.


Encontrou algum erro? Entre em contato