ELEIÇÕES 2026
Emendas de R$ 60 milhões e clãs familiares podem sufocar renovação eleitoral em Alagoas
Projeção do analista político Marcelo Bastos aponta reeleição superior a 70% na Assembleia Legislativa e blindagem financeira de R$ 240 milhões por gabinete na Câmara Federal
Turbinados por um orçamento impositivo de R$ 240 milhões por gabinete e pelo avanço do nepotismo das “capitanias hereditárias”, os atuais detentores de mandato em Alagoas blindaram o tabuleiro proporcional e devem congelar a renovação política nas urnas. Em análise cirúrgica sobre o pleito, o analista político Marcelo Bastos projeta um cenário de asfixia para novos entrantes: a taxa de reeleição na Assembleia Legislativa (ALE) vai superar os 70%, mantendo cerca de 20 dos 27 deputados estaduais, enquanto na Câmara dos Deputados, 6 dos 9 federais têm reeleição garantida, restando apenas três vagas abertas — todas decorrentes de rearranjos estratégicos e projetos majoritários das próprias oligarquias locais.
Na corrida para a Câmara Federal, Marcelo Bastos destaca que a baixíssima oxigenação da bancada só ocorre onde o titular abriu mão do próprio espaço para jogar o xadrez majoritário. É o caso do favoritíssimo Arthur Lira, que deixa a disputa proporcional para concorrer ao Senado Federal, mas opera a transferência dinástica da cadeira diretamente para o filho. Movimento semelhante faz Alfredo Gaspar, que abriu mão da reeleição legislativa para figurar na chapa à vice-presidência da República. A única perda real por desgaste de legenda atinge o petista Paulão, cuja recondução deve ser sepultada pelo cálculo do quociente eleitoral da federação PT/PCdoB, que dificilmente alcançará a cláusula de barreira local. Para os demais seis deputados de mandato, a estrutura é intransponível. Cada parlamentar dispõe de R$ 60 milhões anuais em emendas impositivas, uma máquina de R$ 240 milhões ao longo do mandato que independe do Palácio do Planalto O volume financeiro é tão brutal que os parlamentares recusam ministérios e secretarias de Estado, preferindo a liquidez e o controle direto dessas verbas para sufocar qualquer concorrência e hipertrofiar suas bases eleitorais.
No plano estadual, o pragmatismo dos clãs tradicionais desenha um teto de apenas 30% de renovação para as 27 cadeiras da Casa de Tavares Bastos. Conforme Bastos, onde o titular recua, o sobrenome avança. A deputada Carla Dantas não disputa, mas carimba a indicação de seu substituto consanguíneo, Paulinho Mendonça; Flávia Cavalcanti sai de cena para o retorno do pai, o ex-deputado Cícero Cavalcante; e o Dr. Wanderley migra para a disputa ao Senado tentando blindar seu espólio político com a eleição do filho, Hugo Wanderley. As duas únicas fissuras no bloco governista que abrem vagas reais ocorrem pelas saídas de Bruno Toledo, chancelado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE--AL), e de Galba Novaes, que optou por arriscar a sorte na disputa federal. Caso Novaes tentasse a permanência na ALE, estaria na cota dos amplamente favoritos.
A radiografia de Marcelo Bastos expõe as engrenagens de um sistema político em Alagoas que se autogere e se autofinancia com o erário. Ao converter o orçamento público em combustível eleitoral permanente e os mandatos em patrimônio familiar hereditário, as forças tradicionais transformaram a eleição proporcional em um mero rito de passagem cartorial. Para as poucas lideranças que tentam romper o cerco sem o selo dos clãs ou o cofre das emendas impositivas, o pleito deste ano assume contornos de uma missão quase impossível em um tabuleiro de cartas previamente marcadas pelos donos do poder.
Quem serão os novos deputados federais e estaduais de Alagoas?
Com base em pesquisas de consumo interno, além do desempenho dos candidatos em campanhas passadas, tamanho dos partidos e nas campanhas de rua e nas redes sociais, o analista político Marcelo Bastos fez a lista dos prováveis eleitos para deputado federal e estadual de Alagoas.
DEPUTADO FEDERAL
UP: Federação União Progressista faz 4
OS 3 PROVÁVEIS ELEITOS:

ÁLVARO LIRA

FÁBIO COSTA

MARX BELTRÃO
DISPUTAM A 4ª VAGA
Daniel Barbosa

Nivaldo Albuquerque

MDB: Movimento Democrático Brasileiro faz 2
OS PROVÁVEIS ELEITOS:

ISNALDO BULHÕES

RAFAEL BRITO
DEPUTADO FEDERAL
PSD: Partido Social Democrático faz 2, com possibilidade real de eleger 3
O PROVÁVEL ELEITO:

LUCIANO AMARAL
DISPUTAM 1 OU 2 VAGAS

DAVI MAIA

JULIA NUNES

SAMIRA DO BASTO

RUI PALMEIRA
PSDB: Federação Partido da Social Democracia Brasileira e Cidadania poderá fazer 1 por sobra de vagas
PROVÁVEL ELEITO:

GILVAN BARROS
OBSERVAÇÃO: A chapa Federação (PT/PV/PCdoB) e o PL não deverão fazer o quociente eleitoral e dificilmente elegerão um candidato por sobras de vagas.
DEPUTADO ESTADUAL
Faz 4, com uma possibilidade real de eleger 5
OS 3 PROVÁVEIS ELEITOS

FERNANDO PEREIRA

ANTÔNIO ALBUQUERQUE

DELEGADO LEONAN
DISPUTAM 1 OU 2 VAGAS

ROSE DAVINO

MESAQUE PADILHA

NENO DA LAJE
Federação formada pelo Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde faz 3
O PROVÁVEL ELEITO:

RONALDO MEDEIROS
DISPUTAM AS 2 VAGAS

SILVIO CAMELO

MARCOS BARBOSA

BRUNO ALBUQUERQUE

TECA NELMA
DEPUTADO ESTADUAL
Faz 2, com uma possibilidade remota de eleger 3
OS 2 PROVÁVEIS ELEITOS:

TENORINHO MALTA

LUCAS BARBOSA
DISPUTAM 1 VAGA, CASO FAÇA 3

FRANCISCO SALES

LÉO LOUREIRO
PL: Faz um, com uma possibilidade de eleger 2
O PROVÁVEL ELEITO

CABO BEBETO
DISPUTAM 1 VAGA, CASO FAÇA 2:

BRIVALDO MARQUES

LEONARDO DIAS
DEPUTADO ESTADUAL
MDB: Faz 15, com uma possibilidade remota de eleger 16
OS 11 PROVÁVEIS ELEITOS:

MARCELO VICTOR

ALEXANDRE AYRES

CIBELE MOURA

CÍCERO CAVALCANTE

PAULINHO MENDONÇA

RICARDO NEZINHO

HUGO WANDERLEY

FÁTIMA CANUTO

REMI CALHEIROS

DUDU RONALSA

LELO MAIA
DISPUTAM 4 OU 5 VAGAS

INÁCIO LOIOLA

FRANCISCO TENÓRIO

GILVAN FILHO

ANDRÉ SILVA

GUILHERME LOPES

HENRIQUE CHICÃO

MARCOS BELTRÃO

GABI GONÇALVES



