Conteúdo do impresso Edição 1384

ELEIÇÕES 2026

Emendas de R$ 60 milhões e clãs familiares podem sufocar renovação eleitoral em Alagoas

Projeção do analista político Marcelo Bastos aponta reeleição superior a 70% na Assembleia Legislativa e blindagem financeira de R$ 240 milhões por gabinete na Câmara Federal
Divulgação
Marcelo Bastos vê poucas chances de novatos sem ligação com clãs se elegerem
Marcelo Bastos vê poucas chances de novatos sem ligação com clãs se elegerem

Turbinados por um orçamento impositivo de R$ 240 milhões por gabinete e pelo avanço do nepotismo das “capitanias hereditárias”, os atuais detentores de mandato em Alagoas blindaram o tabuleiro proporcional e devem congelar a renovação política nas urnas. Em análise cirúrgica sobre o pleito, o analista político Marcelo Bastos projeta um cenário de asfixia para novos entrantes: a taxa de reeleição na Assembleia Legislativa (ALE) vai superar os 70%, mantendo cerca de 20 dos 27 deputados estaduais, enquanto na Câmara dos Deputados, 6 dos 9 federais têm reeleição garantida, restando apenas três vagas abertas — todas decorrentes de rearranjos estratégicos e projetos majoritários das próprias oligarquias locais.

Na corrida para a Câmara Federal, Marcelo Bastos destaca que a baixíssima oxigenação da bancada só ocorre onde o titular abriu mão do próprio espaço para jogar o xadrez majoritário. É o caso do favoritíssimo Arthur Lira, que deixa a disputa proporcional para concorrer ao Senado Federal, mas opera a transferência dinástica da cadeira diretamente para o filho. Movimento semelhante faz Alfredo Gaspar, que abriu mão da reeleição legislativa para figurar na chapa à vice-presidência da República. A única perda real por desgaste de legenda atinge o petista Paulão, cuja recondução deve ser sepultada pelo cálculo do quociente eleitoral da federação PT/PCdoB, que dificilmente alcançará a cláusula de barreira local. Para os demais seis deputados de mandato, a estrutura é intransponível. Cada parlamentar dispõe de R$ 60 milhões anuais em emendas impositivas, uma máquina de R$ 240 milhões ao longo do mandato que independe do Palácio do Planalto O volume financeiro é tão brutal que os parlamentares recusam ministérios e secretarias de Estado, preferindo a liquidez e o controle direto dessas verbas para sufocar qualquer concorrência e hipertrofiar suas bases eleitorais. 

No plano estadual, o pragmatismo dos clãs tradicionais desenha um teto de apenas 30% de renovação para as 27 cadeiras da Casa de Tavares Bastos. Conforme Bastos, onde o titular recua, o sobrenome avança. A deputada Carla Dantas não disputa, mas carimba a indicação de seu substituto consanguíneo, Paulinho Mendonça; Flávia Cavalcanti sai de cena para o retorno do pai, o ex-deputado Cícero Cavalcante; e o Dr. Wanderley migra para a disputa ao Senado tentando blindar seu espólio político com a eleição do filho, Hugo Wanderley. As duas únicas fissuras no bloco governista que abrem vagas reais ocorrem pelas saídas de Bruno Toledo, chancelado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE--AL), e de Galba Novaes, que optou por arriscar a sorte na disputa federal. Caso Novaes tentasse a permanência na ALE, estaria na cota dos amplamente favoritos. 

A radiografia de Marcelo Bastos expõe as engrenagens de um sistema político em Alagoas que se autogere e se autofinancia com o erário. Ao converter o orçamento público em combustível eleitoral permanente e os mandatos em patrimônio familiar hereditário, as forças tradicionais transformaram a eleição proporcional em um mero rito de passagem cartorial. Para as poucas lideranças que tentam romper o cerco sem o selo dos clãs ou o cofre das emendas impositivas, o pleito deste ano assume contornos de uma missão quase impossível em um tabuleiro de cartas previamente marcadas pelos donos do poder.

Quem serão os novos deputados federais e estaduais de Alagoas?

Com base em pesquisas de consumo interno, além do desempenho dos candidatos em campanhas passadas, tamanho dos partidos e nas campanhas de rua e nas redes sociais, o analista político Marcelo Bastos fez a lista dos prováveis eleitos para deputado federal e estadual de Alagoas.

DEPUTADO FEDERAL

UP: Federação União Progressista faz 4

OS 3 PROVÁVEIS ELEITOS: 

 ÁLVARO LIRA 

FÁBIO COSTA 

 MARX BELTRÃO


DISPUTAM A 4ª VAGA

Daniel Barbosa


Nivaldo Albuquerque

MDB: Movimento Democrático Brasileiro faz 2

OS PROVÁVEIS ELEITOS:

ISNALDO BULHÕES

RAFAEL BRITO

DEPUTADO FEDERAL

PSD: Partido Social Democrático faz 2, com possibilidade real de eleger 3

O PROVÁVEL ELEITO:

LUCIANO AMARAL

DISPUTAM 1 OU 2 VAGAS

DAVI MAIA

JULIA NUNES

SAMIRA DO BASTO

RUI PALMEIRA

PSDB: Federação Partido da Social Democracia Brasileira e Cidadania poderá fazer 1 por sobra de vagas

PROVÁVEL ELEITO:

GILVAN BARROS

OBSERVAÇÃO: A chapa Federação (PT/PV/PCdoB) e o PL não deverão fazer o quociente eleitoral e dificilmente elegerão um candidato por sobras de vagas.

DEPUTADO ESTADUAL

Faz 4, com uma possibilidade real de eleger 5

OS 3 PROVÁVEIS ELEITOS

FERNANDO PEREIRA

ANTÔNIO ALBUQUERQUE

DELEGADO LEONAN

DISPUTAM 1 OU 2 VAGAS

ROSE DAVINO

MESAQUE PADILHA

NENO DA LAJE


Federação formada pelo Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde faz 3

O PROVÁVEL ELEITO:

RONALDO MEDEIROS

DISPUTAM AS 2 VAGAS

SILVIO CAMELO

MARCOS BARBOSA

BRUNO ALBUQUERQUE

TECA NELMA

DEPUTADO ESTADUAL

Faz 2, com uma possibilidade remota de eleger 3

OS 2 PROVÁVEIS ELEITOS: 

TENORINHO MALTA

LUCAS BARBOSA

DISPUTAM 1 VAGA, CASO FAÇA 3

FRANCISCO SALES

LÉO LOUREIRO


PL: Faz um, com uma possibilidade de eleger 2

O PROVÁVEL ELEITO

CABO BEBETO

DISPUTAM 1 VAGA, CASO FAÇA 2:

BRIVALDO MARQUES

LEONARDO DIAS

DEPUTADO ESTADUAL

MDB: Faz 15, com uma possibilidade remota de eleger 16

OS 11 PROVÁVEIS ELEITOS: 

MARCELO VICTOR

ALEXANDRE AYRES

CIBELE MOURA

CÍCERO CAVALCANTE

PAULINHO MENDONÇA

RICARDO NEZINHO

HUGO WANDERLEY

FÁTIMA CANUTO

REMI CALHEIROS

DUDU RONALSA

LELO MAIA

DISPUTAM 4 OU 5 VAGAS

INÁCIO LOIOLA

FRANCISCO TENÓRIO

GILVAN FILHO

ANDRÉ SILVA

GUILHERME LOPES

HENRIQUE CHICÃO

MARCOS BELTRÃO

GABI GONÇALVES


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