ALAGOAS TEM JEITO
Educação e Caminhos

A má qualidade da formação educacional é irmã siamesa da baixa produtividade, gêmea dos subsalários, do subemprego, da baixa qualificação, do atraso econômico e da pobreza que nos agrilhoa em círculo vicioso que implora urgente mudança. E a saída é pela educação. Foi assim que países iniciaram o salto da pobreza para o clube dos ricos (o PISA indica que países que alcancem a média da OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento - podem, em tese – em conjunto a outras ações – atingir em 6 décadas renda per capital similar à dos EUA).
Encaminhar a questão da educação no Brasil significa ter presente a questão ideológica que pauta o setor, o centralismo ineficaz da gestão no Ministério da Educação que se replica nos estados e municípios, a ação aparelhada das escolas superiores da área da educação que insistem na visão de formar “pensadores da educação” (sic!) e não professores para a sala de aula, na necessária melhoria da qualidade dos cursos de aperfeiçoamento, no uso político da educação que subverte prioridades e dificulta avanços ou a falta de visão de longo prazo.
O propósito da proposta do projeto Alagoas tem Jeito não é criar digressões sofisticadas sobre os temas a serem abordados. O foco direto é mostrar bons exemplos práticos de como fazer acontecer. Nesse contexto, na educação infantil o modelo (demanda ajustes para o cenário brasileiro) da cidade italiana de Reggio Emilia, considerada uma das 10 melhores pré-escolas do mundo e de ótimos resultados, pode ser o norte a seguir. Mas é preciso que a educação infantil seja de fato priorizada e deixe, por exemplo, de ser repositório de docentes em vias de aposentação, ou dos desmotivados ou daqueles com inadequação a outras áreas.
Na educação fundamental, o case de Coruripe (visto na reportagem anterior) é ótimo exemplo a ser seguido não apenas no estado, mas por todo o país, dado seus excelentes resultados. Deve ser replicado. No ensino técnico, será preciso ampliar o número de unidades, modernizar o currículo, não se ater apenas às atividades analógicas ou práticas técnicas do século passado e adotar também as tecnologias do século XXI. O ensino médio não mais atende as necessidades dos alunos ou do mercado. Precisa ser totalmente reformulado, descentralizado para os municípios e – paulatinamente – reduzido de tamanho com a migração da maior parte dos alunos para o ensino técnico ou profissional. Nos dois casos, o horário integral é a meta.
No ensino superior voltado à preparação de docentes, é urgente mudar o enfoque do preparo metodológico-pedagógico além introduzir as TICS na habilitação do docente à sala de aula e ao novo modelo de escola que se quer. A Universidade Estadual precisa redesenhar sua atuação. Reduzir drasticamente o enfoque em carreiras saturadas (e por consequência, mal remuneradas) e investir em formação de pessoas para as profissões do século XXI. É preciso romper com esse paradigma.
Sabemos que os recursos são finitos e que não dá para se fazer tudo ao mesmo tempo. E nem no curto prazo. Alagoas deve priorizar a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental orientada pelo modelo próprio desenvolvido por Coruripe. As demais séries e níveis de ensino seriam trabalhados na medida do possível, avançando-se paulatinamente em direção a cada um deles. Não há revolução educacional em 4 anos. É coisa para décadas. Mas, certamente, será um excelente início se a rota for essa. Claro, depende da quebra de vários paradigmas conhecidos. Coruripe nos dá um bom exemplo de como fugir das armadilhas da burocracia, da politicagem e da ineficiência na educação. No limite, é o caminho.