DE INHAPI

Coordenador do Cesmac integra banca da primeira indígena alagoana a concluir Mestrado em Educação

Por Assessoria 31/05/2021 - 13:32
A- A+
Divulgação
Prof. Dr. Jorge Vieira - Coordenador do NAFRI/DH/Cesmac e Allyne Jaciara Rios Oliveira
Prof. Dr. Jorge Vieira - Coordenador do NAFRI/DH/Cesmac e Allyne Jaciara Rios Oliveira

O Núcleo Acadêmico Afro e Indígena e Direito Humanos (NAFRI/DH), do Cesmac, destacou nesta segunda-feira, 31, a grande conquista da indígena Allyne Jaciara Rios Oliveira, do Povo Koiupanká, do município de Inhapi, em Alagoas, por se tornar a primeira indígena alagoana a concluir o Mestrado em Educação.

A defesa da dissertação, desenvolvida junto ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Alagoas (PPGE/UFAL), aconteceu por videoconferência, na última quinta-feira, 27.

O trabalho, inserido na linha de pesquisa História e Política da Educação, intitula-se “Povo Koiupanká e a Educação Escolar Indígena: 15 anos de resistência no sertão alagoano”. A banca examinadora foi composta pelos seguintes membros: Profa. Dra. Inalda Maria dos Santos (PPGE/UFAL) - orientadora; Profa. Dra. Edna Cristina do Prado (PPGE/UFAL) – examinadora interna, e Prof. Dr. Jorge Luiz Gonzaga Vieira (coordenador do NAFRI/DH/Cesmac) – examinador externo.

“Meu sentimento é de gratidão à Deus por ter me sustentando e protegido, a todos aqueles que participaram deste processo comigo, familiares, meu povo, a orientadora Profa. Inalda Santos e os amigos. Foi uma conquista alcançada com muito esforço. Estre trabalho não é apenas fruto dos dois anos de duração oficial do mestrado, e sim de toda uma trajetória que começou há muitos anos na minha comunidade. Desde o Ensino Médio comecei a problematizar e viver a Educação Escolar Indígena na Escola Estadual Indígena Ancelmo Bispo de Souza, na condição de professora”, contextualiza Allyne.

A mestra em Educação ressalta ainda, que a sensação é de dever cumprido, mas não de encerramento, pois ainda há muito o que conhecer, discutir, aprender. “Fico feliz em saber que o Cesmac tem um compromisso acadêmico e social de abrir espaços para que as questões indígenas sejam discutidas. Estive na Instituição ainda adolescente para participar de um evento ‘Abril Indígena’ como convidada. Sempre recebi e ajudei como pude a todos os acadêmicos que pesquisaram ou que, gostariam de saber mais sobre os Koiupanká. Foi um imenso prazer ter o Prof. Dr. Jorge Vieira compondo a banca, ele que integra de todo o processo de autoafirmação étnica do meu povo, já realizou, participou e é um incentivador para que outros pesquisadores indígenas, ou não, enveredem pelas questões ligadas à temática. Seus trabalhos foram relevantes na constituição teórica da minha pesquisa. Aprendi muito no mergulho de seu trabalho, na experiência da defesa e ainda há muito o que aprender nas futuras parcerias que poderemos trilhar”, detalha a indígena.

O coordenador do NAFRI/DH/Cesmac, explica: “O Povo Koiupanká é muito importante nesse processo, pois foi um dos povos que trabalhei na minha tese. Meu contato com eles vem acontecendo desde 2001, com trabalho de levantamento e reuniões envolvendo o processo de afirmação étnica, inclusive na minha fala durante a banca da Allyne, demonstrei exatamente a importância de se ter um processo de formação e de afirmação étnica do povo, onde a escola foi fundamental para formar professores indígenas para que possam fazer esse trabalho do ponto de vista do resgate histórico e cultural. Além disso, por desenvolver em um diálogo multidisciplinar e multicultural, o tem sido destaque na proposta da Escola Indígena Ancelmo Bispo de Souza”, reforça o Prof. Dr. Jorge Vieira.

Allyne é professora da Rede municipal de Inhapi e há dez anos atua como professora na Escola Estadual Indígena Ancelmo Bispo de Souza – Povo Koiupanká. Integrante do Grupo de Pesquisa Gestão e Avaliação Educacional (GAE). Possui especializações em Alfabetização e Letramento (Instituto Pró – Saber) e Gestão e Tutoria em Educação à Distância (Centro Universitário Leonardo da Vinci - 2016). Além disso, é licenciada em Letras/Literatura (Programa de Licenciatura Intercultural Indígena – PROLIND/Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL), e em Pedagogia pela Faculdade de Tecnologia e Ciências.

Leia mais sobre


Encontrou algum erro? Entre em contato