EM MACEIÓ

MST ocupa sede do Incra e tenta substituir superintendente primo de Lira

Trabalhadores rurais querem o engenheiro José Ubiratan Rezende Santana, simpatizante do movimento
Assessoria
Trabalhadores rurais ocupam sede do Incra em Maceió
Trabalhadores rurais ocupam sede do Incra em Maceió

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram nesta segunda-feira, 10, a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Maceió. Os manifestantes pedem a exoneração do superintendente do órgão, César Lira e alegam que primo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), é "bolsonarista raiz". No lugar de Lira, os trabalhadores rurais querem o engenheiro José Ubiratan Rezende Santana, simpatizante do movimento. Os quatro andares do prédio foram ocupados.

Em nota, o Incra informou que "não recebeu, oficialmente, a pauta de reivindicações dos movimentos sociais e que as metas institucionais estabelecidas estão sendo cumpridas. Nomeações e exonerações não são tratadas regionalmente". O órgão também informou que todos os serviços no prédio sede foram suspensos e só devem ser retomados ao fim da ocupação.

A ação, que faz parte do "Abril Vermelho", jornada nacional do movimento, mobilizou mais de mil militantes organizados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), incluindo outros grupos, como a Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e Movimento Terra Livre (MTL), entre outros. "É inaceitável a continuidade de uma gestão bolsonarista. Por que o governo Lula mantém por tanto tempo (mais de cem dias de governo) um superintendente inimigo da reforma agrária e com um histórico de violência junto a lideranças e comunidades?", questiona nota publicada no site do MST.

Desde a retomada das invasões, em fevereiro deste ano, com a ocupação de três fazendas da Suzano, o movimento vem pressionando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por mais influência em órgãos ligados à questão agrária. Na época, a demora do presidente em preencher os cargos levou o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, a afirmar que a indefinição acendia "a luz amarela". Passados 100 dias do governo Lula, há superintendências do Incra com cargos de comando vagos em 17 estados.

Além da mudança em Alagoas, o MST quer a troca no comando das superintendências de Santa Catarina, atualmente ocupada por Nilton Tadeu Garcia, e do Amapá, exercida por Fábio da Silva Muniz. Como Lira, eles foram nomeados no governo Temer e mantidos por Bolsonaro. "Desde janeiro buscamos junto ao deputado Paulo Fernandes (PT) e ao ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, a nomeação do servidor do Incra SR22-AL, José Ubiratan Rezende Santana, como o novo superintendente do Incra em Alagoas", diz a nota.

O texto relata que, em 26 de janeiro, enviou nota ao diretório do PT em Alagoas solicitando a "imediata exoneração" de Lira e a nomeação de Ubiratan. Correspondência com o mesmo teor foi enviada no dia 2 de fevereiro ao ministro Teixeira. A pressão continuou: "Diante da morosidade do governo Lula", segundo a nota, novo pedido foi encaminhado ao Incra no dia 29 de março. "Ocupamos e exigimos que o ministro Paulo Teixeira tome as providências administrativas, retome a pauta da reforma agrária, assuma a melhoria das estruturas das áreas reformadas e apoie a produção de alimentos sadios", acrescenta.

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