MACEIÓ

Trabalhadores do Hospital Veredas entram em greve nesta sexta-feira

Gestores estadual e municipal não comparecem à audiência para discutir dívida de R$ 7 milhões com três folhas em atraso
Assessoria Sateal
Audiência no MPT não avançou pela ausência de representantes dos governos estadual e municipal
Audiência no MPT não avançou pela ausência de representantes dos governos estadual e municipal

Sem as presenças de representantes do estado e do município para justificar as razões nos atrasos dos repasses de recursos públicos para o Hospital Veredas, a audiência de conciliação realizada nesta terça-feira (13), no Ministério Público do Trabalho (MPT), teve poucos avanços no que se refere a mudança do cenário crítico dos 1.200 funcionários da unidade hospitalar.

O Sateal, sindicato dos trabalhadores, solicitou que o MPT convocasse os representantes das secretarias da Fazenda e Saúde (Sefaz e Sesau) para que dessem explicações sobre a situação e apontassem caminhos para resolver o problema, mas infelizmente ninguém compareceu ou justificou a ausência na audiência.

Os trabalhadores em geral (a exceção dos médicos e empresas terceirizadas), vão iniciar a greve com a suspensão dos serviços a partir da próxima sexta-feira (16), respeitando o percentual de 30% do corpo profissional em atividade.

Com um débito acima de R$ 7 milhões somente com as 3 folhas (março, abril e maio), além de benefícios atrasados, a unidade agoniza diante de um cenário que pode ficar ainda pio com a decretação da greve deliberada pelos profissionais de várias categorias e protocolado pelos sindicatos das categorias no MPT durante a audiência desta terça-feira.

Representantes do Hospital afirmaram que os atrasos de três meses, além de férias e 13º ocorrem, principalmente, pela ausência de regularidade nas transferências do Governo de Alagoas e do município de Maceió.

Além dos trabalhadores ativos, mais de 160 profissionais demitidos também não receberam qualquer indenização até o momento. É o caso da técnica em nutrição Jussara Lemos, que trabalhou durante 35 anos para o Hospital e foi demitida em janeiro.

A técnica afirma que a empresa parou de pagar o FGTS em 2014. “Tenho apenas R$ 0,2 na minha conta e estou sendo ameaçada de perder minha casa”, afirma emocionada.

Além dela, outros ex-funcionários estão vivendo situações de total desespero. A técnica em enfermagem Alessandra Machado foi demitida há sete anos e até o momento também não recebeu qualquer indenização.

O procurador-chefe do MPT, Raphael Gazzaneo, afirmou que vai pedir uma audiência com o vice-governador, Ronaldo Lessa com expectativa de encontrar algum espaço de diálogo com o Executivo estadual. O MPT elaborou e as partes assinaram um Termo com as definições de como serão realizados os pagamentos dos recursos em atraso.

“Mesmo assinando o termo no Ministério Público, a empresa [Hospital Veredas} alega não ter recursos neste momento para quitar suas dívidas. Vale destacar que salário é de natureza alimentar, fonte de sobrevivência dos trabalhadores, como vários deles relataram aqui, na audiência. Não podemos ficar inertes diante da situação de total desespero desses profissionais, que estão vivendo em condições precárias e adoecidos diante desse cenário caótico em que se encontra o hospital”, destacou o presidente do Sateal, Mário Jorge.


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