saúde
Burnout pode afetar até 70% dos profissionais de saúde no Brasil
Mês dedicado à saúde mental evidencia a urgência de olhar para quem cuida
No contexto do Janeiro Branco, campanha dedicada à promoção da saúde mental, a Unimed Maceió chama atenção para dados que evidenciam a vulnerabilidade dos profissionais de saúde ao esgotamento emocional.
Segundo a Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar (Volume 23/2020), a Síndrome de Burnout pode atingir até 67% dos médicos e até 70% dos enfermeiros, que atuam em hospitais, refletindo uma resposta prolongada a estressores crônicos no ambiente de trabalho.Para enfrentar esse cenário, a Unimed Maceió mantém o Programa Equilíbrio, iniciativa estruturada que promove o bem-estar integral dos colaboradores a partir de três pilares: saúde física, saúde mental e relações sociais.
No pilar de saúde mental, o programa oferece apoio psicológico por meio da psicóloga organizacional Claudiane Barreto, com atendimentos semanais destinados a todos os colaboradores que necessitem de acolhimento, escuta qualificada e orientação emocional.Segundo a psicóloga Claudiane Barreto, a iniciativa funciona como um espaço seguro, no qual o profissional não é visto apenas como alguém que cuida, mas também como alguém que precisa ser cuidado.
O caráter preventivo é determinante: “nos atendimentos e orientações, conseguimos identificar sinais precoces de sobrecarga antes que ela se transforme em adoecimento. Esse suporte rompe o ciclo de silêncio, culpa e exaustão, promovendo autoconsciência e fortalecimento emocional”.
Ela complementa que cuidar de si deve ser entendido como parte do próprio exercício profissional, reforçando que não se trata de fraqueza, mas de responsabilidade humana.Claudiane aponta que ações estruturadas de apoio emocional são essenciais justamente para prevenir esse tipo de esgotamento, já que os sinais aparecem rapidamente no cuidado oferecido aobeneficiários.
“Quando um profissional da saúde entra em exaustão emocional, os efeitos aparecem rapidamente na assistência: queda da produtividade, maior probabilidade de erros, dificuldade de concentração, afastamentos e até abandono das atividades”, explica.A psicóloga ressalta ainda que o sofrimento pode ultrapassar o indivíduo e se espalhar pelo ambiente de trabalho. “Há o adoecimento emocional, a perda do sentido do trabalho, sentimentos de infelicidade e desconexão com o propósito de cuidar. Isso tende a sobrecarregar os colegas. Quando o cuidador colapsa, o sistema também se fragiliza”, afirma.A profissional avalia que instituições que investem no cuidado interno colhem reflexos diretos na assistência prestada. Profissionais emocionalmente amparados, segundo ela, conseguem estar mais presentes, atentos, empáticos e seguros nas decisões clínicas.
“Esse apoio reduz o estresse crônico, melhora a comunicação e fortalece a responsabilidade ética, resultando em uma assistência mais humanizada”, acrescenta.
Sobre o Programa Equilíbrio
Estratégias organizacionais têm se mostrado fundamentais para reduzir o estresse ocupacional e fortalecer o bem-estar no ambiente de trabalho. É nesse contexto que o Programa Equilíbrio, da Unimed Maceió, se destaca, ao estruturar ações que vão além do cuidado individual e alcançam a dinâmica coletiva das equipes.
Fernanda Carvalhal, supervisora da medicina do trabalho da Unimed Maceió explica que o Programa Equilíbrio surgiu a partir de uma iniciativa fundamentada nos resultados da pesquisa de clima organizacional e na análise do perfil epidemiológico dos colaboradores da Unimed Maceió. “A partir da avaliação desses dados, foi possível identificar a demanda dos próprios colaboradores por uma atuação mais próxima e efetiva da instituição no cuidado emocional. Essa necessidade motivou a criação de um programa estruturado e voltado à promoção da saúde mental, ao bem-estar e à qualidade de vida no ambiente de trabalho”, afirma.
Além da psicoterapia breve, fundamentada em evidências científicas, o Programa Equilíbrio também oferece ginástica laboral, atividade que contribui para prevenir doenças osteomusculares e reduzir o estresse. Por ser realizada em grupo, a prática fortalece ainda o pilar das relações sociais, estimulando interação, integração, cooperação e o sentimento de pertencimento entre os colaboradores.



