Alerta vermelho
Quase 20% dos adolescentes em Alagoas dizem que a vida não vale a pena
Pesquisa revela quadro preocupante de saúde mental entre estudantes
Cerca de 19,8% dos estudantes de 13 a 17 anos em Alagoas relataram que a vida não vale a pena ser vivida na maior parte do tempo ou sempre, nos 30 dias anteriores à pesquisa. O índice supera a média nacional (18,5%) e a do Nordeste (19,2%), segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pela IBGE.
O recorte por gênero evidencia uma diferença significativa: entre as meninas, o percentual chega a 26,5%, mais que o dobro do registrado entre os meninos, de 13,0%.
Na capital, Maceió, o cenário é semelhante. Ao todo, 19,9% dos estudantes afirmaram sentir que a vida não vale a pena, índice próximo à média das capitais brasileiras (19,0%). Entre as meninas, o percentual atinge 27,9%, enquanto entre os meninos é de 11,8%.
Os dados também indicam altos níveis de sofrimento emocional entre os jovens. Em Alagoas, 48,1% dos estudantes disseram ter se sentido muito preocupados com questões do dia a dia na maior parte do tempo ou sempre, percentual próximo ao nacional (49,7%). Já 28,5% afirmaram ter se sentido tristes com frequência — índice semelhante ao do Brasil (28,9%).
Novamente, as meninas apresentam os maiores percentuais: 40,4% relataram tristeza frequente, contra 16,5% dos meninos. O mesmo padrão se repete em outros indicadores. Sentimentos de irritação, nervosismo ou mau humor foram relatados por 39,8% dos estudantes em Alagoas, sendo 55,8% entre meninas e 23,5% entre meninos.
A percepção de abandono também aparece na pesquisa. No estado, 26,7% dos adolescentes disseram sentir que ninguém se preocupava com eles na maior parte do tempo ou sempre, percentual próximo ao nacional (26,1%).
Outro dado que chama atenção é o número de estudantes que relataram vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa: 30,6% em Alagoas, abaixo da média nacional (32,5%), mas ainda expressivo. Entre as meninas, o índice chega a 40,6%, enquanto entre os meninos é de 20,4%.
Em Maceió, esse percentual sobe para 34,0%, acima da média das capitais brasileiras (33,5%). De forma geral, todos os indicadores analisados mostram maior vulnerabilidade entre as meninas, padrão que se repete tanto no estado quanto no restante do país.
A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação e investiga fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes brasileiros. Em Alagoas, a edição de 2024 ouviu cerca de 6.700 estudantes de 161 escolas públicas e privadas, na capital e no interior.
Além de saúde mental, a pesquisa aborda temas como alimentação, atividade física, uso de álcool e drogas, violência, ambiente escolar e acesso a serviços de saúde. Novos recortes sobre esses temas devem ser divulgados nos próximos dias.



