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Acusada de mandar matar a própria irmã vai a novo júri em Maceió

Julgamento acontece nesta quinta após anulação de absolvição considerada contraditória
Por Redação 09/04/2026 - 06:07
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Reprodução
Luciana Lins, acusada de mandar matar irmã
Luciana Lins, acusada de mandar matar irmã

O Salão do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital recebe, nesta quinta-feira, 9, um novo capítulo de um dos crimes mais emblemáticos de Alagoas. A ré Luciana Pinheiro será novamente julgada, acusada de ser a mandante do assassinato da própria irmã, a servidora pública Quitéria Maria Lins Pinheiro, morta a tiros em agosto de 2012, no bairro da Gruta de Lourdes, em Maceió.

O novo julgamento ocorre após o Ministério Público de Alagoas (MPEAL) recorrer da decisão anterior do júri popular, que, apesar de reconhecer indícios de autoria, absolveu a acusada. O Tribunal de Justiça anulou o resultado, apontando contradição na decisão dos jurados.

Quitéria Maria tinha 54 anos quando foi executada dentro de casa com cinco disparos de arma de fogo — quatro nas costas e um na nuca. As investigações da Polícia Civil indicaram que o crime foi planejado e executado por um grupo que incluía o sobrinho da vítima, Klinger Lins Pinheiro Dias Gomes, filho de Luciana, e um comparsa contratado por R$ 1.500, identificado como Mustafá Rodrigues do Nascimento.

Ambos foram condenados em 2014 a penas superiores a 20 anos de prisão. De acordo com o inquérito conduzido pelo delegado Cícero Lima, a motivação do assassinato estaria relacionada a uma dívida de R$ 5 mil que Luciana teria com a irmã. Segundo as investigações, a cobrança insistente teria provocado desentendimentos que culminaram no planejamento do crime.

À época, a acusada negou participação, afirmando que o filho teria ido à residência da tia apenas para pagar parte da dívida e retirar objetos pessoais. A versão, no entanto, foi descartada pela polícia, que concluiu tratar-se de uma execução premeditada, e não de um assalto frustrado.

O caso teve início em 12 de agosto de 2012, quando Quitéria foi assassinada dentro de sua residência. Poucas horas depois, Klinger foi preso em flagrante por equipes da Delegacia de Homicídios com apoio da Força Nacional. Durante as investigações, um veículo utilizado na ação foi apreendido e o próprio suspeito chegou a confessar participação, inicialmente alegando um suposto assalto que não se sustentou.

No ano seguinte, em janeiro de 2013, um soldado do Exército também foi preso preventivamente por suspeita de envolvimento no crime. Ele acabou absolvido em 2016 pelo 1º Tribunal do Júri de Maceió, após convencer os jurados de que não tinha conhecimento da execução e que teria sido induzido a acompanhar o grupo sob outro pretexto.

Com os executores já condenados, o processo em relação à suposta mandante seguiu marcado por idas e vindas judiciais. Em julgamento anterior, os jurados chegaram a reconhecer a participação de Luciana como mandante, mas optaram pela absolvição — decisão posteriormente anulada pelo Tribunal de Justiça.


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