AGULHAMENTO DISTAL
Método utiliza pontos distantes da região dolorida e auxilia na dor
Técnica amplia opções no tratamento da dor crônica
Conviver com a dor por meses, ou até anos, pode comprometer o trabalho, o sono, a prática de atividades físicas e tarefas simples do dia a dia. É esse público que tem procurado o Agulhamento Distal, método da acupuntura que utiliza pontos distantes da região afetada para estimular o organismo. Em Maceió, a técnica tem atraído principalmente pessoas com dores crônicas, especialmente relacionadas às articulações.
A principal característica do Agulhamento Distal — e também o que mais desperta a curiosidade dos pacientes — é que as agulhas não são aplicadas no local onde está a dor. Segundo a farmacêutica e especialista em acupuntura Michelline Lemos, esse é justamente o diferencial do método. Embaixadora da técnica, ela atua com o Agulhamento Distal há pouco mais de um ano e realizou formação com o fisioterapeuta e acupunturista pernambucano Felipe Mucarbel, uma das principais referências da área no Brasil.
De acordo com a especialista, o Agulhamento Distal utiliza os meridianos da acupuntura para estimular mecanismos naturais do organismo, buscando aliviar a dor e favorecer a recuperação funcional da região afetada.
Embora possa ser empregado em diferentes tipos de dor, a maior procura na clínica é de pacientes com artrose, dores nos joelhos, ombros, tornozelos, coluna lombar e enxaqueca. A maior parte do público é formada por idosos que convivem com dores persistentes há mais de três meses. "Recebemos pessoas que convivem com dor há 15 ou até 20 anos. É muito tempo de sofrimento. Mesmo nesses casos, observamos respostas bastante significativas", afirma.
Michelline ressalta que o Agulhamento Distal não promete resultados imediatos para todos os pacientes. Com base em sua experiência clínica, cerca de 80% apresentam melhora significativa, aproximadamente 15% evoluem de forma mais gradual e cerca de 5% não respondem ao tratamento. Na maioria dos casos, entre cinco e 10 sessões são suficientes, embora alguns pacientes necessitem de acompanhamento por um período maior.
A especialista reforça que o Agulhamento Distal não substitui os tratamentos médicos convencionais, mas pode atuar como recurso complementar no controle da dor e na recuperação funcional. Antes do início das sessões é realizada uma avaliação individual. Embora não existam contraindicações absolutas, pessoas com diabetes descompensado ou com lesões na área de aplicação das agulhas exigem cuidados específicos antes de iniciar o tratamento.
Em alguns casos, o atendimento pode ser associado à sangria terapêutica, procedimento que consiste na retirada de pequenas quantidades de sangue em pontos específicos, conforme avaliação clínica. As sessões têm duração média de uma hora, período em que o paciente passa pela avaliação e pela aplicação da técnica, de acordo com a necessidade de cada indivíduo.
Além da técnica, Michelline destaca que hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade, também contribuem para a recuperação.
"É uma técnica que exige capacitação específica. Não basta conhecer acupuntura; é preciso estudar esse método para aplicá-lo de forma segura e adequada. Nosso objetivo não é manter o paciente em tratamento por tempo indeterminado, mas devolver qualidade de vida para que ele volte a caminhar, praticar exercícios e realizar suas atividades com menos dor", destaca.



