ChatGPT/I.A
inteligência artificial amplia debate sobre o futuro do mercado de trabalho
O avanço da inteligência artificial (IA) vem ampliando de uma forma geral o debate sobre seus efeitos no mercado de trabalho. No Nordeste, metade da população acredita que a tecnologia representa uma ameaça para empregos ou oportunidades profissionais. O dado faz parte da 19ª edição da Pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), e coloca a região atrás apenas do Sudeste (55%) e do Norte (51%). No Centro-Oeste, o percentual é de 49%, enquanto no Sul chega a 37%.
Apesar do receio, a pesquisa revela que a percepção sobre a IA não é uniforme. Entre os nordestinos entrevistados, 31% acreditam que a tecnologia trará mais oportunidades do que riscos para o mercado de trabalho, enquanto 28% avaliam que os dois aspectos andarão lado a lado. Outros 25% entendem que os riscos devem superar os benefícios.
Em entrevista exclusiva ao EXTRA, a gerente de Pesquisas do Ipespe, Roseane Xavier, afirmou que o resultado observado na região acompanha o cenário nacional e internacional. "Esse percentual no Nordeste está em linha com os resultados do país: 51% dos brasileiros têm esse medo. Trata-se de uma tendência nacional, mas também observada em outros países", afirma.
Ela cita como exemplo o levantamento internacional Ipsos AI Monitor 2025, segundo o qual 53% dos usuários de internet entrevistados afirmam que a inteligência artificial provoca sentimentos de ansiedade ou nervosismo.
A pesquisa mostra que a inteligência artificial já é conhecida pela maior parte da população nordestina. Nove em cada dez entrevistados disseram já ter ouvido falar sobre a tecnologia, enquanto 68% afirmaram já ter tido contato com ferramentas de IA. Entre eles, 52% disseram utilizá-las.
Roseane Xavier observa que o receio de perder o emprego não é o mesmo que a preocupação em acompanhar as mudanças provocadas pela tecnologia.
"O medo de perder o emprego está ligado à insegurança econômica e à possibilidade de substituição ou redução de oportunidades. Já o receio de não acompanhar as mudanças está relacionado à capacidade de adaptação, aprendizagem e uso das novas tecnologias", explicou.
Ela destaca, no entanto, que existe disposição para adquirir esse conhecimento. Entre as pessoas que ainda não utilizam inteligência artificial, 62% demonstram interesse em aprender. Entre os entrevistados do Nordeste que utilizam inteligência artificial, a principal aplicação é a busca de informações e o esclarecimento de dúvidas, citada por 57%. O auxílio no trabalho aparece em seguida, com 12%, enquanto o apoio aos estudos foi mencionado por 10%.
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