Caso Master

Assembleia trava abertura da CPI para investigar investimentos do Iprev

Deputados que sugeriram a iniciativa não conseguiram coletar assinaturas de apoio dos seus pares
Assessoria
Assembleia Legislativa de Alagoas
Assembleia Legislativa de Alagoas

Ainda não saiu do campo da sugestão, na Assembleia Legislativa de Alagoas, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (IPREV) em títulos vinculados ao Banco Master.

A CPI começou a ser articulada em junho deste ano pelos deputados Ronaldo Medeiros (PT), Dr. Wanderley e Remi Calheiros, ambos do MDB, mas não foi adiante com a coleta de assinatura de apoio dos deputados, ficando travada nas gavetas do Legislativo. São necessárias pelo menos 9 assinaturas (o equivalente a um terço dos 27 deputados da Casa) para a abertura da CPI.

Inicialmente, os deputados queriam esclarecer aporte, entre 2023 e 2024, de cerca de R$ 117 milhões em papeis do Banco Master, o banco de Daniel Vorcaro. Segundo dados do Ministério da Previdência Social divulgados em janeiro, os recursos foram destinados a letras financeiras emitidas pelo banco e que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Com a liquidação extrajudicial do banco decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, esses recursos viraram alvo de investigação por falta de garantia do FGC e suspeitas de fraude. O Iprev tenta se habilitar como credor no processo de massa liquidada para tentar reaver o montante perdido, enquanto órgãos de controle fiscalizam o rombo financeiro nas contas públicas locais. 

As investigações já mostraram que o banqueiro obteve milhões de reais em diferentes fundos de previdência de prefeituras, governos estaduais e de órgãos federais, com a ajuda de políticos que recebiam propina para defender os interesses dele.

A PF investiga suspeitas de gestão fraudulenta e pretende reconstruir o caminho que levou à aplicação dos recursos do instituto. “A investigação tem como objeto duas aplicações realizadas nos anos de 2023 e 2024, que totalizaram R$ 97 milhões, e busca esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos”, informou a Polícia Federal.

Em fevereiro, o ex-prefeito e vereador por Maceió Rui Palmeira (PSD) anunciou que havia denunciado ao Ministério Público de Alagoas e à Polícia Federal as possíveis irregularidades envolvendo o Iprev e o Master.

Na denúncia formalizada às autoridades, Palmeira apontou que houve “gravíssima afronta aos ditames legais que regem as reuniões” do Iprev. A Lei Ordinária de Maceió nº 5.828/2009, no artigo 107, exige a presença de sete conselheiros para iniciar a reunião e pelo menos seis para decisões.

Em 1º de dezembro de 2023, o Comitê de Investimentos do Iprev de Maceió aprovou investimento de R$ 80 milhões em letras financeiras do Master com apenas quatro pessoas, segundo ata que consta no anexo da denúncia.

O instituto previdência de Maceió era assessorado pela consultoria Mercado e Crédito, de acordo com atas do instituto. O CEO da empresa, Renan Calamia, esteve presente na reunião de 29 de novembro de 2023 do Comitê de Investimentos do Iprev, na qual o Master foi apresentado à instituição como boa oportunidade para obtenção de retorno financeiro. 

Dois dias depois, o instituto aprovou investimento de R$ 80 milhões no banco de Daniel Vorcaro, segundo as atas do Iprev.


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