FORMAÇÃO EM RISCO

“Me sinto perdida”: estudantes da Ufal seguem sem previsão de formatura

Alunos dizem ter cumprido eletivas, mas horas não foram contabilizadas no sistema acadêmico
Por Larissa Cristovão - Estagiária sob supervisão 17/09/2026 - 19:15
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Ana Luíza Ambrózio
UFAL
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Estudantes de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) enfrentam incerteza sobre a conclusão da graduação após horas de disciplinas eletivas não serem contabilizadas no Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa). O problema atinge cerca de 40 alunos que, mesmo tendo cumprido atividades exigidas pelo curso, seguem com pendências que impedem a colação de grau.

Entre eles está Eduarda Nascimento, 23 anos, que já apresentou o TCC e aguarda o diploma. Em entrevista ao EXTRA, nesta quinta-feira, 17, ela contou que entrou na Ufal no final de 2020 e teve a graduação marcada por atrasos relacionados à pandemia, greve e dificuldades para conciliar estudos e estágios. Depois de dedicar um ano ao TCC e ter apresentado, ainda não sabe quando poderá considerar encerrada a graduação.

“Eu me sinto completamente perdida. [...] Eu não consigo nem dizer ainda que eu sou jornalista, sou formada. Não consigo dizer isso, porque realmente não sou”, relata.

Eduarda afirma que chegou a trocar um dia de estágio por um sábado para conseguir cursar uma das eletivas que não teve as horas contabilizadas. Segundo ela, os estudantes já procuraram diferentes setores da universidade, fizeram grupos, listas e abaixo-assinado, mas não conseguiram uma solução.

“A gente já fez de tudo, de tudo. [...] Tudo que você imaginar a gente já fez”, afirma.

O caso ganhou repercussão depois que Eduarda publicou um desabafo nas redes sociais, em resposta a uma publicação da Ufal sobre estudantes de Jornalismo vencedores do Prêmio Sebrae de Jornalismo. Na postagem, ela cobrou uma solução para os colegas que seguem sem diploma.

Esforço que não apareceu no sistema

Cecília Oliveira, 26 anos, descobriu o problema ao conferir o histórico acadêmico no fim do semestre. Uma disciplina de Jornalismo Literário, cursada por ela, aparecia no sistema, mas as horas não haviam sido aproveitadas como eletivas.

Como trabalha durante o dia, Cecilia conta que já tinha dificuldades para encontrar disciplinas compatíveis com seu horário. Mesmo assim, cursou a matéria, cumpriu as atividades e, posteriormente, precisou pagar outra eletiva para tentar garantir a carga horária necessária para a formatura.

“Eu me senti totalmente desamparada, totalmente esquecida, totalmente desavisada, totalmente ignorada”, afirma. Segundo ela, a descoberta também provocou revolta. “Eu senti muito ódio, muita revolta, porque eu fiz a disciplina, me esforcei e depois descobri que aquilo não estava contando para a minha formação.”

Giovanna Dantas, 22 anos, também relata ter enfrentado dificuldades para conciliar trabalho e faculdade. Para cursar Expressão Vocal, na Escola Técnica de Artes (ETA), ela tentava sair mais cedo do trabalho.

“Eu fiquei muito preocupada com o meu futuro, pois queria, e ainda quero, me formar este ano. É frustrante essa situação, pois muitos estudantes se esforçaram em meio à correria da rotina para pagar essas eletivas”, relata.

A estudante diz que a situação trouxe insegurança sobre os próximos passos profissionais. “O que passa pela minha cabeça é que esse esforço foi jogado no lixo”, afirma.

Entenda o problema

Segundo o coordenador e professor do curso de Jornalismo, Ricardo Coelho, o problema está relacionado à transição entre as matrizes curriculares de 2015 e 2025 e ao registro das disciplinas no Sigaa. Em alguns casos, matérias cursadas não tiveram as horas contabilizadas; em outros, disciplinas obrigatórias foram registradas como eletivas.

A demanda foi encaminhada à Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), que analisou o aproveitamento de disciplinas já cursadas, mas não regulamentou novas opções de eletivas naquele momento. Novos processos foram abertos e, segundo o coordenador, a etapa foi concluída no fim de agosto. A documentação deveria ser encaminhada novamente à Prograd até sexta-feira, 18, para uma nova análise.

Enquanto aguardam a regularização, os estudantes seguem sem previsão de conclusão oficial da graduação. Para Eduarda, a espera afeta diretamente os planos construídos depois de anos de faculdade.

“Eu não sei se isso vai ser resolvido daqui para o final do ano, no ano que vem. Eu não sei. Do jeito que está, a gente não vê uma luz no fim do túnel”, afirma.

O EXTRA procurou a Assessoria de Comunicação da Ufal para saber quais medidas estão sendo adotadas pela instituição, mas não recebeu retorno até a última atualização.


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