INVESTIGAÇÃO
PF aponta indícios de fraude em concurso da Polícia Científica de Alagoas
Certame foi aberto em abril de 2022 com provas aplicadas em 15 de janeiro de 2023
A 17ª Promotoria de Justiça da Capital aditou a apuração sobre possíveis irregularidades no concurso da Polícia Científica de Alagoas, aberto em abril de 2022 para cargos de níveis médio e superior, com provas aplicadas em 15 de janeiro de 2023. O ato foi publicado na quinta-feira, 1º, no Diário Oficial do MPAL.
Segundo o documento, os dados encaminhados pela PF apontam indícios de manipulação de resultados e de descumprimento de normas do edital. As informações estão vinculadas ao Processo/PF nº 2026.03.22.144710.63.
O aditamento integra o Procedimento Preparatório nº 06.2026.00000209-6, que já estava em andamento. A Portaria nº 08/2026, publicada pelo MPAL em 8 de maio, havia aberto a apuração sobre possíveis irregularidades na nomeação de Anacleide Pereira Feitosa como auxiliar de perícia.
Na portaria de maio, o MPAL registrou possível conexão da nomeação com investigações da Polícia Federal sobre fraudes em concursos. O documento também citou suspeitas de alteração direcionada do quadro de vagas, desconsideração de etapa eliminatória e falhas de transparência.
O mesmo ato registrou relato de que a prova atribuída a Anacleide teria sido realizada por Mariana Abreu de Andrade Cirilo, mediante uso de uma Carteira Nacional de Habilitação falsificada, com a fotografia de Mariana vinculada aos dados da candidata.
Segundo o MPAL, Anacleide havia sido inicialmente aprovada em quarto lugar e passou para a 80ª posição após o curso de formação, etapa de caráter eliminatório e classificatório.
Anacleide foi nomeada para o cargo de auxiliar de perícia pelo Decreto nº 106.349, de 16 de janeiro de 2026, publicado no Diário Oficial do Estado na segunda-feira, 19. O ato menciona aprovação no concurso regido pelo Edital nº 26 da Polícia Científica.
A portaria do MPAL também informa que a Procuradoria-Geral do Estado foi consultada durante a investigação social e opinou pela inexistência de impedimento à nomeação, diante da ausência de elementos conclusivos naquele momento.
O concurso foi lançado em 2022. Em fevereiro de 2026, a Polícia Científica informou que o certame teve mais de 17 mil inscritos e que 41 integrantes da reserva técnica haviam sido empossados, entre eles 26 auxiliares de perícia.
A investigação estadual está inserida em uma apuração federal mais ampla. Em abril, o Ministério Público Federal informou que a Justiça havia afastado cautelarmente o então delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, e o agente Eudson Oliveira de Matos.
Segundo o MPAL, Eudson é esposo de Anacleide. O MPF informou que a apuração federal identificou métodos como uso de pontos eletrônicos e de “clones”, nos quais terceiros realizavam provas em lugar dos candidatos com documentos adulterados.
O MPF incluiu a seleção da Polícia Científica de Alagoas entre os concursos alcançados pela investigação, ao lado do CNU de 2024, Banco do Brasil, Caixa, Polícia Federal e seleções das polícias Civil e Militar de Alagoas.
Em junho, a Justiça Federal prorrogou por mais 60 dias o afastamento cautelar do delegado e do agente. O MPF ressaltou que a medida buscava evitar interferências na investigação e não representava antecipação de condenação.
Outro procedimento do MPAL, aberto pela 18ª Promotoria em fevereiro, apura possível falta de transparência na divulgação das notas do concurso da Polícia Científica. A representação questiona a ausência de detalhamento das notas obtidas em cada disciplina.
Não há, nos atos consultados, no entanto, informação de que esse procedimento sobre transparência tenha sido formalmente reunido à investigação da 17ª Promotoria. A portaria de maio, porém, também menciona falhas de transparência na divulgação de notas individualizadas por disciplina.
Vale ressaltar que o aditamento publicado agora não identifica responsáveis, não conclui pela existência de fraude e não determina a anulação do concurso. O ato prevê a comunicação ao Conselho Superior do MPAL e a continuidade das providências no procedimento.



