doenças respiratórias

Alagoas está entre os três estados em alerta para aumento de casos graves

Boletim InfoGripe identifica crescimento das ocorrências, principalmente entre crianças
Secom/Arapiraca
Dados são do boletim InfoGripe, da Fiocruz
Dados são do boletim InfoGripe, da Fiocruz

Alagoas está entre os três estados brasileiros que apresentam níveis de alerta, risco ou alto risco para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com sinais de crescimento nas últimas semanas. A informação consta no novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na quinta-feira, 8, que aponta aumento das ocorrências principalmente entre crianças e adolescentes no estado.

De acordo com o levantamento, Alagoas, Sergipe e Roraima são as únicas unidades da Federação que apresentam, simultaneamente, incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas e indícios de crescimento ao longo das seis semanas anteriores à Semana Epidemiológica 39.

Em Alagoas, o aumento dos casos graves está associado principalmente ao metapneumovírus humano (hMPV), agente respiratório que pode provocar infecções nas vias aéreas e complicações, especialmente entre crianças pequenas e pessoas mais vulneráveis.

O cenário alagoano acompanha uma tendência observada em outros estados do Nordeste, onde também foi identificado crescimento de casos de SRAG relacionados ao metapneumovírus. Além de Alagoas, a Fiocruz aponta aumento das ocorrências na Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe.

Apesar do alerta, o boletim não apresenta, no texto divulgado, o número específico de internações ou mortes registradas em Alagoas. A classificação de risco considera indicadores epidemiológicos de incidência e tendência de crescimento, não significando necessariamente que o estado esteja no nível máximo de gravidade.

Crianças e adolescentes concentram aumento dos casos

Segundo a Fiocruz, o crescimento das ocorrências em Alagoas atinge principalmente crianças e adolescentes. No cenário nacional, também foi identificado um leve sinal de retomada do crescimento dos casos graves entre pessoas de 2 a 14 anos, enquanto as demais faixas etárias apresentam tendência de estabilização.

O metapneumovírus está entre os agentes respiratórios que apresentam aumento de circulação no país, ao lado do rinovírus e do coronavírus responsável pela Covid-19.

A incidência de SRAG costuma ser mais elevada entre crianças de até 2 anos, enquanto a mortalidade é maior na população com 65 anos ou mais. Entre os principais vírus associados às hospitalizações de crianças pequenas estão o rinovírus, o vírus sincicial respiratório (VSR) e o metapneumovírus.

O boletim também destaca que os casos graves de Covid-19 permanecem em níveis baixos de incidência no Brasil, apesar de sinais de crescimento em algumas regiões.

Mais de 161 mil casos graves foram notificados no Brasil

Os dados nacionais mostram que, ao longo de 2026, foram notificados 161.053 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Desse total, 86.534 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, o equivalente a 53,7% das notificações.

Entre os casos positivos registrados no ano, o vírus sincicial respiratório respondeu por 40%, seguido pelo rinovírus, com 32,5%, influenza A, com 16,2%, influenza B, com 5,5%, e Sars-CoV-2, com 3,8%.

Nas quatro semanas epidemiológicas mais recentes, o rinovírus representou 52,5% dos resultados positivos entre os vírus analisados, demonstrando sua participação expressiva nas infecções respiratórias graves registradas no país.

Fiocruz reforça importância da vacinação

Diante do cenário epidemiológico, pesquisadores da Fiocruz ressaltam a importância de manter a vacinação atualizada, especialmente entre os grupos prioritários.

A orientação inclui verificar a situação vacinal contra a Covid-19 e reforça a importância da imunização de gestantes contra o vírus sincicial respiratório, conforme as recomendações de saúde.

Para Alagoas, o levantamento representa um sinal de atenção para o acompanhamento das infecções respiratórias, principalmente entre crianças e adolescentes, que concentram o crescimento observado no estado.

O Boletim InfoGripe é produzido pela Fiocruz com base em dados de vigilância epidemiológica e permite acompanhar a circulação dos vírus respiratórios, a evolução das hospitalizações e possíveis mudanças no cenário de risco em todo o país.


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