ECONOMIA

CGU estuda recomendar ajustes à União no repasse de recursos aos municípios

Estudo foi entregue pelo presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, ao ministro da CGU, Vinícius de Carvalho
CNM
Paulo Ziulkoski entrega ao ministro da CGU, Vinícius de Carvalho, dados sobre a situação fiscal dos municípios
Paulo Ziulkoski entrega ao ministro da CGU, Vinícius de Carvalho, dados sobre a situação fiscal dos municípios

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) protocolou ofício na Controladoria-Geral da União (CGU) solicitando a apuração de condutas da União no pagamento e repasse de verbas aos Entes locais. Entregue pelo presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, ao ministro da CGU, Vinícius de Carvalho, o documento reúne dados sobre a situação fiscal e aponta, por exemplo, práticas de defasagem em programas federais e dívidas do governo federal com os Municípios. A audiência foi acompanhada por membros da diretoria da entidade e mais de mil prefeitos permaneceram mobilizados em apoio em frente à sede do órgão de controle.

“Quando um Município deve à previdência, o governo [federal] abocanha do FPM. Agora, o que ele deve, não tem problema. Não nos paga e fica por isso mesmo”, pontuou Ziulkoski. Reconhecendo a importância do controle interno e a atuação fundamental da CGU para prevenir e corrigir erros, o presidente da CNM apresentou o cenário ao ministro e reforçou que problemas estruturais se acumulam há vários governos. “São mais de 240 programas, não foram feitos por lei, não têm correção, pararam no tempo e inviabilizam a gestão nos Municípios”, apontou.

De acordo com o estudo apresentado, somam R$ 47 bilhões os valores que não foram pagos para: financiamento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) entre 2014 e 2022, obras educacionais – concluídas ou paralisadas – sob pactuação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) entre 2007 e 2022 e restos a pagar inscritos no Orçamento da União.

Além disso, os prefeitos denunciam o descumprimento da Lei 13.485/2017, que estabeleceu a revisão da dívida previdenciária dos Municípios, mais conhecida como encontro de contas, e a demora do INSS na análise de compensação previdenciária do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), o que resultou em R$ 7,11 bilhões de atrasados não pagos aos Entes locais e R$ 1,43 bilhão de fluxo anual.

“Não aceitamos o tratamento de uma forma para nós e para a União, outra. A União não cumpre a lei e não acontece nada. Esse é o sentimento dos gestores que estão na ponta, no Município, e que prestam conta, que são questionados”, compartilhou Ziulkoski.

Resposta da CGUApós ouvir as colocações do movimento municipalista, o ministro da CGU afirmou que o órgão vai estudar o documento e os dados apresentados. Ele definiu, durante a reunião, que a atribuição ficará com a Secretaria Federal de Controle Interno. “[Vamos] verificar o que cabe a nossa atuação, para fazer recomendações.”

Ele ainda ressaltou que compreendeu as dificuldades relatadas: “Vocês recebem uma série de tarefas decorrentes dos programas que vão surgindo, muitas vezes sem a estrutura e os recursos necessários. Estou entendendo que isso é estrutural. Que a gente possa ver o que está acontecendo para ajudar na gestão”.

Mobilização Municipalista

Cerca de 3 mil gestores municipais estão mobilizados em Brasília pela CNM para tratar da crise financeira que é relatada em todo o país. Estudo divulgado pela entidade nesta semana mostra que 44,3% dos prefeitos acreditam que a situação fiscal vai piorar nos próximos meses. No primeiro semestre de 2023, 51% das cidades tiveram déficit, enquanto em 2022 esse percentual era de 7%.

Pela manhã, o grupo se concentrou no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Após a audiência na CGU, seguiu para o salão verde da Câmara dos Deputados. Uma audiência está agendada para as 17h30 no Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta quarta-feira, 4 de outubro, os gestores voltam a se reunir pela manhã no Ulysses Guimarães.

Outros pontos constam no ofício entregue à CGU, como pedido de revisão dos processos homologação das equipes da Estratégia Saúde na Família, cuja morosidade causa enorme prejuízos aos Municípios, informações sobre o entendimento do órgão de controle sobre a questão da ilegalidade do critério do piso do magistério e a necessidade de a União cumprir o do mínimo constitucional de 15% para a saúde.

O café é uma preferência nacional e sua degustação não segue regras. O consumo do cafezinho é uma tradição nas residências, nas empresas e nas repartições públicas. O Ministério Público do Estado de Alagoas investiu mais de R% 50 mil


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