ENTENDA

MPF investiga tortura no BBB após alagoana desmaiar no "Quarto Branco"

Dinâmicas do reality show são questionadas por riscos à saúde
Por Redação 05/03/2026 - 20:50
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Reprodução/TV Globo
Dinâmica do “Quarto Branco” é questionada por riscos à saúde
Dinâmica do “Quarto Branco” é questionada por riscos à saúde

O Ministério Público Federal (MPF), através da Procuradoria da República no Rio de Janeiro, abriu um inquérito civil para investigar possíveis práticas de tortura e tratamento degradante no Big Brother Brasil 26. A decisão acontece após representações que apontam riscos à integridade física e psicológica dos participantes do reality show, como o caso da participante alagoana Rafaella Jaqueira, que chegou a desmaiar durante uma prova.

O procedimento teve origem após relatos de episódios convulsivos vivenciados pelo participante Henri Castelli durante uma prova de resistência. O representante da denúncia alega que as condições impostas pela produção expõem a saúde dos envolvidos a riscos desnecessários. Em outra ocasião, o participante Breno ficou “exilado”, em uma área externa da casa.

Um dos pontos centrais da investigação é a dinâmica conhecida como “Quarto Branco”. A dinâmica, adotada pela primeira vez este ano, consiste em uma prova de resistência psicológica e física, onde participantes são confinados em um ambiente totalmente branco, isolado e sem janelas, com um botão vermelho no centro que deve ser acionado em caso de desistência. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) encaminhou uma carta aberta ao MPF criticando o formato da prova.

No caso da participante Rafaella Jaqueira, a alagoana desmaiou em janeiro de 2026 após permanecer mais de 100 horas em reclusão no Quarto Branco. O relato afirma ainda que ela teria sido obrigada a permanecer de pé em um pedestal de diâmetro muito pequeno. Segundo o CEMDP, a técnica é descrita como similar às utilizadas em regimes ditatoriais latino-americanos para infligir sofrimento.

Segundo o documento, submeter indivíduos a situações perigosas para gerar entretenimento pode representar uma afronta direta à dignidade humana.

Emissora terá que prestar esclarecimentos

Na decisão que determinou o inquérito, o MPF destacou que a liberdade de produção das emissoras de televisão não pode servir como autorização para violar direitos fundamentais.

O órgão ressaltou ainda que emissoras de TV são concessionárias de serviço público e devem respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família, conforme previsto no artigo 221 da Constituição Federal.

Como diligência inicial, o MPF solicitou que a TV Globo apresente informações detalhadas sobre as dinâmicas questionadas e os protocolos adotados para garantir a segurança e a saúde dos participantes do programa.

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