mercado de trabalho

“Minha escala é 7x0”, diz presidente de confederação de empresários

Alfredo Cotait Neto afirma que não vê o trabalho contínuo como castigo
Por Redação 11/03/2026 - 06:46
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Assessoria
Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB)
Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB)

O presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, manifestou posição contrária à redução da jornada de trabalho no país e defendeu que o tema seja discutido com base técnica e não em meio a disputas políticas, especialmente em ano eleitoral.

Em artigo intitulado “A minha escala é 7 x 0”, Cotait Neto afirma que sua visão sobre o trabalho foi moldada desde a infância, quando ouviu dos mais velhos que o esforço profissional é um elemento de dignidade e progresso.

Segundo ele, em gerações anteriores, conseguir um emprego era motivo de orgulho para toda a família e a busca por crescimento profissional fazia parte dos objetivos de vida. “Sou de uma geração que ouvia, desde a infância, os mais velhos dizerem que o trabalho dignifica, engrandece e enobrece o homem”, escreveu.

O dirigente também afirmou que encara o trabalho como virtude e não como sacrifício. “Trabalho, para mim, é virtude. Minha escala de trabalho é 7 x 0. Não a vejo como castigo, pelo contrário”, declarou.

Debate sobre jornada

Cotait Neto reconhece que o debate sobre mudanças na jornada de trabalho é legítimo, mas defende que ele seja conduzido com cautela e análise técnica. Para o presidente da CACB, o avanço tecnológico e as mudanças nas rotinas produtivas deveriam servir para ampliar a produtividade e não necessariamente para justificar uma redução de horas trabalhadas.

Ele avalia que discutir o tema em um contexto eleitoral pode distorcer o debate. “Em um ano eleitoral, isso é impossível. Será um processo contaminado pela busca de votos e pelo ‘holofote’ das redes sociais, sem que se discuta impactos na economia e na geração de empregos”, afirmou.

Produtividade e educação

Outro ponto destacado pelo dirigente é o nível de produtividade do país. Na avaliação dele, o Brasil enfrenta dificuldades estruturais que antecedem o debate sobre a jornada de trabalho, como problemas fiscais, econômicos e educacionais.

Cotait Neto citou dados que indicam que cerca de 30% dos adultos brasileiros são analfabetos funcionais, o que, segundo ele, contribui para o baixo desempenho produtivo da economia.

“O trabalho é realização, fonte de renda, origem da prosperidade familiar, da sustentabilidade de um país e do crescimento da sociedade”, escreveu.

Impacto nos pequenos negócios

O presidente da CACB também afirmou que eventuais mudanças na jornada poderiam impactar principalmente pequenos e médios empreendedores, que, segundo ele, já enfrentam margens de lucro reduzidas e dificuldades para encontrar mão de obra.

Para ele, o debate deveria priorizar a negociação entre trabalhadores e empregadores, respeitando o que já está previsto na legislação trabalhista. “Ao exigir que a discussão ocorra com bases técnicas e profundas, estamos preocupados em não aumentar custos, o que levaria ao crescimento do desemprego e da inflação”, argumentou.

Crítica à proposta

No texto, Cotait Neto faz críticas diretas aos defensores da redução da jornada de trabalho, sugerindo que parte das propostas estaria associada a interesses eleitorais.  “Quem hoje defende a redução da jornada de trabalho está agindo em busca de votos, sem pensar nas consequências da medida ao setor produtivo”, afirmou.

Ele conclui defendendo que o país ainda não estaria preparado para discutir mudanças desse tipo e que o tema deveria ser tratado com maior serenidade e responsabilidade. “O Brasil não está preparado para discutir esse tema agora e os parlamentares precisam ter esse entendimento”, escreveu.


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