Política
Flávio Bolsonaro tem reeleição como plano B à disputa presidencial
Eventual recuo da pré-candidatura ganhou força com divulgação de mensagens envolvendo Vorcaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mantém como alternativa uma candidatura à reeleição ao Senado Federal pelo Rio de Janeiro, caso deixe a corrida pela Presidência da República em 2026. Segundo interlocutores do parlamentar e dirigentes do PL, a possibilidade sempre esteve no horizonte político do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram publicadas inicialmente pelo jornal Valor Econômico.
Nos bastidores do partido, a discussão sobre um eventual recuo da pré-candidatura presidencial ganhou força após a divulgação de mensagens envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O caso veio à tona após reportagem do site Intercept Brasil revelar diálogos em que o senador solicita recursos financeiros ao empresário para investir em um filme sobre Jair Bolsonaro. As conversas foram confirmadas pelo Valor Econômico. Flávio admitiu ter procurado Vorcaro para discutir aportes na produção cinematográfica, mas negou qualquer irregularidade.
A Polícia Federal, entretanto, apura se transferências ligadas ao fundo Havengate Development Fund, sediado no Texas, poderiam ter sido utilizadas para custear despesas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Tanto Flávio quanto Eduardo negam as suspeitas.
O fundo citado tem como representante legal o advogado Paulo Calixto, que também atua na defesa de Eduardo Bolsonaro.
Aguardar desdobramentos
Apesar da repercussão do episódio, dirigentes do PL afirmam que não há, neste momento, qualquer definição sobre mudança de estratégia eleitoral. A orientação interna é aguardar os desdobramentos do caso para avaliar se haverá impacto político sobre a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Segundo aliados do senador, a ideia de disputar novamente o Senado já vinha sendo considerada muito antes das revelações envolvendo Vorcaro. Essa possibilidade teria influenciado diretamente a decisão do vereador Carlos Bolsonaro (PL), irmão de Flávio, de buscar uma candidatura ao Senado por Santa Catarina, em vez do Rio de Janeiro.
De acordo com pessoas próximas à família Bolsonaro, a movimentação buscou evitar um cenário de disputa interna no estado fluminense caso Flávio optasse pela reeleição. A estratégia, porém, provocou desconforto entre aliados bolsonaristas catarinenses.
Mesmo que um eventual recuo da disputa presidencial ainda seja considerado improvável por integrantes do PL, fontes próximas ao senador afirmam que ele teria prioridade absoluta dentro do grupo político para ocupar uma das vagas ao Senado pelo Rio.
Atualmente, o campo bolsonarista no estado conta com duas pré-candidaturas já anunciadas: o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil). Ambos foram lançados oficialmente pelo próprio Flávio Bolsonaro em fevereiro deste ano.
Nos últimos meses, porém, o cenário político mudou. Cláudio Castro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O ex-governador ainda tenta viabilizar uma candidatura sub judice, mas enfrenta resistência crescente dentro do PL.
Além disso, Castro passou a ser investigado pela Polícia Federal por suspeitas envolvendo favorecimento ao Grupo Refit, do empresário Ricardo Magro, considerado um dos maiores devedores do estado do Rio de Janeiro.



