ECONOMIA

Cortes em benefícios podem reduzir renda em até 13% em Alagoas

Estudo da USP alerta para efeitos sobre famílias e comércio do interior
© Joédson Alves/Agência Brasil
Estudo da USP estima que a falta de reajustes reais em benefícios sociais e previdenciários pode reduzir em até 13% a renda agregada dos municípios do interior de Alagoas
Estudo da USP estima que a falta de reajustes reais em benefícios sociais e previdenciários pode reduzir em até 13% a renda agregada dos municípios do interior de Alagoas

A falta de reajustes reais em benefícios sociais e previdenciários pode provocar uma queda de 10% a 13% na renda agregada dos municípios do interior de Alagoas. A estimativa é de um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), que analisa os impactos econômicos da estagnação ou redução de aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Segundo o levantamento, as transferências públicas têm peso significativo nas economias de cidades fora das regiões metropolitanas. Como boa parte dos recursos é usada para pagar despesas básicas, uma redução no poder de compra dos beneficiários pode afetar não apenas as famílias mais pobres, mas também o comércio, os empregos e a arrecadação dos municípios.

A pesquisa comparou a evolução dos benefícios entre 2022 e 2025 com um cenário semelhante ao período de 2019 a 2022, quando não houve ganhos reais do salário mínimo. Nesse contexto, a renda agregada dos municípios do interior brasileiro poderia ficar entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar alcançado com a valorização real dos pagamentos.


Alagoas está entre os estados em que a retração estimada ficaria entre 10% e 13%, ao lado de Bahia, Maranhão e Ceará. Os impactos mais intensos seriam registrados no interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí, com perdas projetadas entre 17% e 18%.

Benefícios sociais e previdenciários ajudam a movimentar a economia


De acordo com a economista Luiza Nassif, pesquisadora do Made e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os valores recebidos pelas famílias são direcionados principalmente à compra de alimentos e outros itens essenciais. Por isso, o dinheiro circula no comércio local e contribui para sustentar a atividade econômica.

“Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica que atinge inclusive as famílias que não dependem do socorro público”, afirma Nassif.

O estudo destaca ainda que aposentadorias, Bolsa Família e BPC são importantes para reduzir a pobreza. Nas famílias com renda de até 1,5 salário mínimo por pessoa, esses benefícios podem representar até metade dos rendimentos.

As simulações indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 teria levado cerca de 2,7 milhões de pessoas à pobreza em municípios brasileiros fora das regiões metropolitanas. Desse total, aproximadamente 2,4 milhões teriam entrado em situação de extrema pobreza.

Para Nassif, reajustes abaixo da inflação podem comprometer a capacidade de famílias vulneráveis de arcar com despesas básicas. A pesquisadora também alerta que a perda de renda dos beneficiários reduz o consumo e ameaça a sobrevivência de pequenos negócios em cidades do interior.

Legenda para foto: Estudo da USP estima que a falta de reajustes reais em benefícios sociais e previdenciários pode reduzir em até 13% a renda agregada dos municípios do interior de Alagoas.

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