COVID-19
CFM informa que não recomenda tratamento precoce

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Donizette Giamberardino Filho, afirmou nesta 2ª feira (19) que a instituição “não recomenda e não aprova tratamento precoce e não aprova também nenhum tratamento do tipo protocolos populacionais (contra a covid-19)”. A declaração foi dada durante audiência pública da Comissão Temporária da Covid-19 do Senado.
“Esse parecer não é habeas corpus para ninguém. O médico que, tendo evidências de previsibilidade, prescrever medicamentos (off label) e isso vier a trazer malefícios porque essa prescrição foi inadequada, seja em dose ou em tempo de uso, pode responder por isso”, completou Donizette.
A microbiologista Natália Pasternak, presidente do IQC (Instituto Questão de Ciência), também estava presente audiência e destacou que existem estudos científicos que mostram que componentes do “kit covid” já foram desmentidos, como o uso de cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento da doença.
Com evidências
“Não é que não existem evidências ainda, é que já existem evidências de que esses medicamentos não funcionam. Para cloroquina e hidroxicloroquina, nós temos mais de 30 trabalhos feitos no padrão ouro que mostram que esses medicamentos não servem para covid-19. Para ivermectina, nós temos trabalhos também que demonstram que não serve e uma série de trabalhos que são muito mal feitos e muito inconclusivos. Infelizmente, muitos médicos acabam se fiando nisso”, afirmou.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) reforçou no dia 1º de março uma diretriz pedindo que a hidroxicloroquina não seja usada como tratamento preventivo contra a covid-19. A recomendação se baseia em 6 estudos clínicos com evidências de alto nível que confirmaram que o medicamento não é eficiente na prevenção contra a doença.
Além disso, no mesmo dia, a organização divulgou uma nota desaconselhando o uso da ivermectina por pacientes infectados pelo coronavírus. A OMS disse que as evidências sobre o uso do medicamento no tratamento da covid-19 são “inconclusivas” e que o remédio só deve ser usado dentro de estudos clínicos.