acusação de estupro

Lindbergh Farias reduz tom de acusações contra Alfredo Gaspar

Deputado do PT afirma que apenas encaminhou denúncia recebida à Polícia Federal e ao STF
Câmara dos Deputados
Lindbergh Farias
Lindbergh Farias

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), autor da acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), passou a adotar um tom mais moderado após a confirmação do parlamentar alagoano como vice na chapa de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. O petista procurou o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada evangélica na Câmara, para tratar do caso.

Segundo Lindbergh, a conversa teve como objetivo esclarecer que ele não pretende transformar a denúncia em instrumento de disputa política. O deputado afirmou que sua atuação se limitou ao encaminhamento de uma acusação recebida e que a apuração agora cabe às instituições responsáveis.

“Eu disse ao Sóstenes que o que eu fiz foi motivado por uma denúncia e que agora cabe à Polícia Federal e ao STF. Eu já falei o que tinha que falar sobre isso”, declarou Lindbergh à CNN Brasil.

O parlamentar informou ainda que preparava uma manifestação pública sobre o episódio, mas negou que o documento representasse uma retratação. “Não se trata de me retratar. Vou me retratar do quê? Recebi uma denúncia e encaminhei. É minha obrigação fazer isso”, afirmou.

Do outro lado, Sóstenes Cavalcante confirmou o contato, mas apresentou uma versão diferente sobre a iniciativa. Segundo ele, Lindbergh teria procurado uma forma de reduzir o desgaste provocado pela repercussão do caso e evitar uma escalada de conflitos judiciais com Alfredo Gaspar.

De acordo com o deputado do PL, o petista teria dito que não desejava “criar um erro ainda maior” ao atacar alguém de forma injusta e pediu que fosse transmitida uma mensagem de pacificação ao deputado alagoano.

Ainda conforme Sóstenes, Lindbergh teria relatado que recebeu informações iniciais sobre o suposto crime por meio de uma jornalista. O deputado do PL afirmou que o petista disse possuir apenas dados preliminares e que, posteriormente, ao buscar provas, a jornalista não teria apresentado elementos contra Gaspar.

A nota que Lindbergh pretendia divulgar chegou a ser elaborada, mas não foi publicada. Segundo Sóstenes, o texto não teria agradado Alfredo Gaspar. Já Lindbergh afirmou que não conseguiu revisar o documento a tempo devido a compromissos políticos no Rio de Janeiro.

A denúncia contra Alfredo Gaspar foi apresentada por Lindbergh em 27 de março, após um embate entre os dois durante uma sessão da CPMI do INSS. O caso foi levado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A defesa de Alfredo Gaspar reagiu apresentando medidas judiciais contra Lindbergh e outros envolvidos, incluindo pedidos de investigação por possíveis crimes contra a honra e denunciação caluniosa. O deputado também solicitou a coleta de material genético para comparação com o material relacionado à investigação do suposto crime.


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