história
Como era o Brasil quando Renan Calheiros chegou ao Senado
Real tinha poucos meses de existência e FHC iniciava o primeiro mandato
Quando Renan Calheiros foi eleito senador por Alagoas, em outubro de 1994, o Brasil vivia um momento de mudanças. O real tinha apenas três meses de existência, o país acabava de conquistar o tetracampeonato mundial de futebol, ainda estava abalado pela morte de Ayrton Senna e se preparava para eleger Fernando Henrique Cardoso (FHC) presidente da República. A internet comercial ainda não fazia parte da vida dos brasileiros e possuir um telefone celular era privilégio de poucos.
A nova moeda havia entrado em circulação em 1º de julho de 1994, como parte do Plano Real, depois de uma longa sequência de planos econômicos, inflação elevada e mudanças de moeda. A estabilização dos preços começava a alterar o cotidiano de uma população acostumada a conviver com remarcações constantes nos supermercados e com a rápida perda do poder de compra do dinheiro.
A eleição daquele ano levou Fernando Henrique Cardoso ao Palácio do Planalto. Ex-ministro da Fazenda e um dos principais nomes associados ao Plano Real, FHC derrotou Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno e tomou posse em 1º de janeiro de 1995. Era apenas a segunda eleição direta para presidente realizada no país desde o fim da ditadura militar.
Quando Renan tomou posse no Senado, em 1º de fevereiro de 1995, o salário mínimo brasileiro era de R$ 70. Em maio daquele ano, passou para R$ 100. O cenário econômico ainda era marcado pela tentativa de consolidar a estabilidade conquistada com o Real, enquanto o governo iniciava uma agenda que, nos anos seguintes, incluiria privatizações, abertura econômica e mudanças estruturais no Estado.
Na tecnologia, a distância para o Brasil atual era ainda maior. A internet comercial começava a chegar ao país em 1995 e estava restrita a uma parcela muito pequena da população. Não existiam Google, Facebook, YouTube, Instagram, WhatsApp ou qualquer das redes e plataformas que hoje fazem parte da rotina de milhões de brasileiros. O Google, por exemplo, só seria fundado em 1998, três anos depois daquela posse.
O telefone celular também estava longe de ser um produto popular. Os aparelhos eram caros, grandes e acessíveis a poucos consumidores. A telefonia fixa dominava as comunicações e conseguir uma linha residencial podia exigir espera e alto investimento. Smartphones, aplicativos e chamadas de vídeo pertenciam a um futuro ainda distante.
Também não existiam Pix, bancos digitais ou pagamentos instantâneos pelo celular. Cheques eram comuns, operações bancárias dependiam principalmente de agências e caixas eletrônicos e pagar contas frequentemente significava enfrentar filas. O comércio eletrônico praticamente inexistia para o consumidor brasileiro e a ideia de comprar um produto pelo telefone e recebê-lo em casa em poucos dias ainda estava distante do cotidiano.
O entretenimento também retratava outro país. A televisão aberta exercia influência ainda maior sobre a vida nacional, as fitas VHS ocupavam as videolocadoras e CDs estavam em plena expansão. Super Nintendo e Mega Drive estavam entre os videogames mais conhecidos, enquanto computadores pessoais ainda começavam lentamente a conquistar espaço nas residências.
No esporte, o Brasil vivia sentimentos opostos. Em maio de 1994, a morte de Ayrton Senna durante o Grande Prêmio de San Marino provocou comoção nacional. Apenas dois meses depois, a seleção brasileira conquistou nos Estados Unidos o tetracampeonato mundial, encerrando um jejum de 24 anos sem títulos de Copa do Mundo. Romário e Bebeto estavam entre os grandes personagens daquele Brasil.
O país também tinha uma população menor. Em meados dos anos 1990, o Brasil reunia cerca de 160 milhões de habitantes. A expectativa de vida era inferior à atual e indicadores de educação, saúde, renda e acesso a serviços básicos revelavam uma realidade social bastante diferente. A própria democracia brasileira ainda era jovem.
A Constituição de 1988 tinha pouco mais de seis anos quando ocorreram as eleições de 1994. Fernando Collor havia sofrido impeachment apenas dois anos antes, Itamar Franco ocupava a Presidência e o país ainda consolidava suas instituições depois de duas décadas de regime militar.



