Câmara dos Deputados
Nivaldo Albuquerque é um dos candidatos com mais recursos para a campanha
Deputado federal que tenta a reeleição já recebeu R$ 3,2 milhões do fundo eleitoral
O deputado Nivaldo Albuquerque (União-AL) está entre os 20 parlamentares que mais receberam verba eleitoral para a campanha em busca de reeleição no pleito deste ano. O candidato acumulou até o dia 23 de setembro uma receita de R$ 3.230.800 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado fundo eleitoral, que somou R$ 4,96 bilhões em 2026.
Os deputados que tentam permanecer no Congresso, um total de 434 parlamentares, representam menos de 6% dos candidatos registrados, mas concentram quase um terço de todo o dinheiro já declarado para a eleição. Eles já receberam mais de R$ 1 bilhão para gastar com a campanha, segundo levantamento realizado pelo site Congresso em Foco, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nivaldo Albuquerque, que assumiu o mandato na vaga do deputado Paulão do PT, após a retotalização dos votos da eleição de 2022 imposta pelo TSE, recebeu recursos acima da média geral dos que tentam à reeleição, calculada em R$ 2,35 milhões. Ele ocupa a 10ª posição entre os 20 candidatos mais favorecidos com a verba do fundo eleitoral.
O deputado é filho do também deputado estadual Antônio Albuquerque, um dos políticos mais longevos de Alagoas, que cumpre atualmente seu oitavo mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Alagoas.
As Eleições 2026 contam com 434 deputados disputando a reeleição, o correspondente a 5,9% das 7.364 candidaturas e receberam R$ 1,02 bilhão, ou 32,7% dos R$ 3,12 bilhões registrados para o cargo. Os outros 6.930 concorrentes, 94,1% do total, dividem os R$ 2,1 bilhões restantes.
O partido de Nivaldo Albuquerque, o União Brasil, registra 45 deputados federais em busca da reeleição nacionalmente. O partido declarou neutralidade na disputa para a Presidência da República, liberando os diretórios estaduais e candidatos a apoiarem palcos locais. A legenda integra a Federação União Progressista (União Brasil e PP) em diversos estados, coligando-se conforme as conveniências regionais.
Repasse de recursos
Uma parte significativa dos recursos de campanha passa pelas estruturas partidárias. O TSE transfere as cotas aos partidos, mas são as direções nacionais que aprovam os critérios para repartir esse dinheiro entre seus candidatos. A legislação não exige divisão igualitária, embora imponha reservas para mulheres, pessoas negras e indígenas. Também há teto conforme o cargo disputado.
Na prática, as legendas podem concentrar recursos de acordo com suas estratégias eleitorais. Candidaturas vistas como mais competitivas podem receber parcelas maiores. Entre os critérios usados para mensurar essas candidaturas estão votação anterior conhecida, base política organizada, exposição pública e estrutura acumulada, além do poder de direcionar recursos orçamentários por meio de emendas parlamentares.
Os dados não permitem dizer que o mandato, sozinho, determinou cada repasse. Mas mostram que a associação entre já ocupar uma cadeira e receber mais dinheiro é praticamente generalizada.
Do fundo eleitoral, 2% são divididos igualmente entre os partidos; 35% seguem a votação obtida para a Câmara; 48% dependem do tamanho da bancada de deputados; e 15%, da representação no Senado. Assim, partidos que conquistaram mais votos e cadeiras recebem parcelas maiores do fundo. Depois, suas direções definem como repartir esse caixa internamente.



