polêmica
PlatôBR relata encontros de Flávio com prostitutas organizados por ex-sócio
Reportagem afirma ter obtido registros sobre festas privadas com mulheres contratadas
Uma reportagem publicada nesta terça-feira, 29, pelo PlatôBR afirma ter obtido mensagens, fotografias e outros registros que apontariam para a participação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em encontros privados com garotas de programa. O material, segundo o veículo, foi reunido por Alexandre Ferreira Dias Santini, antigo amigo e ex-sócio do parlamentar.
De acordo com a apuração, Santini teria participado da organização de encontros com mulheres contratadas e mantido conversas com uma agenciadora de garotas de programa no Rio de Janeiro. O PlatôBR relata que algumas das mensagens faziam referência à presença de Flávio, identificado pelo ex-sócio por uma expressão usada entre eles.
Em uma das conversas reproduzidas pela reportagem, Santini procura a agenciadora para organizar uma nova festa semelhante a outra já realizada no Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, e ressalta a necessidade de sigilo por causa do período eleitoral. A publicação afirma que os encontros faziam parte de uma rotina mantida pelo grupo naquele período.
O Grand Hyatt, hotel de alto padrão no Rio de Janeiro, aparece na reportagem como um dos locais utilizados para os encontros. Segundo o PlatôBR, Santini guardou fotografias relacionadas a uma dessas ocasiões, realizada no início de 2022.
A reportagem também afirma que, após o rompimento da amizade com Flávio, Santini mostrou parte do material a Fernanda Bolsonaro, mulher do senador. O episódio teria provocado uma crise familiar e levado Flávio a enviar uma mensagem ao antigo amigo pedindo que ele se afastasse de Fernanda.
Na conversa reproduzida pelo veículo, Flávio afirma ter se arrependido de “muitas escolhas erradas” e diz que não voltaria a errar com a família. A mensagem, porém, não detalha quais condutas eram mencionadas pelo senador e, isoladamente, não confirma as demais alegações apresentadas na reportagem.
Quem pagava as despesas
Além dos aspectos relacionados à vida privada, o ponto de maior interesse público levantado pelo PlatôBR está na origem do dinheiro que teria custeado parte desses encontros.
Segundo a reportagem, Santini teria atuado durante anos como uma espécie de responsável informal por despesas de Flávio e afirmações contidas no material associam os gastos a recursos cuja origem seria questionável. O veículo relaciona esse contexto à antiga sociedade dos dois na loja de chocolates e às investigações que ficaram conhecidas como caso das “rachadinhas”.
Essa associação, entretanto, é apresentada pelo PlatôBR a partir dos documentos e relatos obtidos em sua apuração e não significa, por si só, comprovação de que recursos provenientes de eventual ilícito tenham sido utilizados para pagar garotas de programa.
A antiga investigação sobre as “rachadinhas” passou por decisões judiciais que anularam ou afastaram elementos da apuração, circunstância que precisa ser considerada ao tratar das suspeitas daquele período.
A relação entre Santini e Flávio se deteriorou posteriormente por causa de uma disputa financeira. Segundo a reportagem, o ex-sócio chegou a cobrar R$ 1,4 milhão do senador em uma notificação extrajudicial enviada em setembro de 2023.
O PlatôBR afirma que o acervo mantido por Santini incluía mensagens, áudios, fotografias, comprovantes de pagamento e outros documentos acumulados durante os anos em que os dois mantiveram relação próxima. Parte desse material teria sido compartilhada com terceiros durante o período de conflito.
Atualmente, segundo a própria publicação, Santini voltou a manifestar apoio público a Flávio Bolsonaro.
As informações sobre os encontros com garotas de programa são atribuídas à investigação jornalística do PlatôBR e aos registros que o veículo afirma ter analisado. O material fornecido não apresenta uma manifestação atualizada de Flávio Bolsonaro respondendo especificamente a todas as novas alegações divulgadas nesta terça-feira.



