por dentro do voto

Marcelo Bastos aponta o que influencia o eleitor na hora de escolher o voto

Analista cita trajetória dos candidatos, tradição familiar e descrédito com a política
Divulgação
O analista político Marcelo Bastos
O analista político Marcelo Bastos

O comportamento do eleitor na hora de escolher um candidato não segue uma única lógica. Em entrevista ao EXTRA nesta quinta-feira, 1º, o analista político Marcelo Bastos afirmou que a decisão do voto passa por fatores como trajetória política, coerência, tradição familiar, identificação ideológica, condição econômica e, em alguns casos, pelo descrédito com a própria política.

De acordo com Bastos, há eleitores que observam principalmente o histórico do candidato. “Tem alguns candidatos que são eleitos por uma história, por um passado, por uma luta, por uma coerência”, afirmou. Para ele, esse perfil é formado por um eleitor mais criterioso, que leva em conta “essa história, esse passado, a coerência que ele tem”.

Na avaliação do analista, a frustração com políticos também ajuda a explicar votos brancos, nulos e até a decisão de não comparecer às urnas. “Grande parte do segmento do eleitorado deixa de votar justamente porque acreditava muitas vezes naquele candidato, elegeu aquele candidato em cima de um discurso, mas depois o candidato perde a coerência, aquilo que ele dizia, ele passa a dizer o contrário”, disse.

Bastos acrescentou que, diante dessa decepção, parte do eleitorado não necessariamente procura outra candidatura. “Aí o eleitor fica decepcionado e muitas vezes ele não procura outro candidato que atenda às necessidades daquele eleitor. Aí ele termina indo para o voto branco, nulo”, declarou.

Outro perfil citado pelo analista é o eleitor movido pela tradição política. “Tem famílias aqui, principalmente do Nordeste, em Alagoas, famílias tradicionais na política, enraizadas muitas vezes em uma base eleitoral do interior, que o eleitor é muito ligado a esse político”, afirmou. Segundo ele, há casos em que “a família já vota naquele candidato, naquela família política há muito tempo, e é assim que ele decide o voto”.

A ideologia também aparece como fator relevante. Bastos afirmou que existe “aquele eleitor ideológico, que vota no candidato que tem propostas conservadoras, um candidato chamado da direita”. Da mesma forma, segundo ele, há “aquele eleitor mais ideológico do campo da esquerda, que vota naqueles que defendem as pautas da esquerda”, especialmente em temas sociais e trabalhistas.

O analista também relacionou a condição econômica à decisão eleitoral. Para ele, parte dos eleitores em situação de vulnerabilidade tende a avaliar governos e candidatos a partir de políticas sociais. “Muitas vezes, parte desse eleitorado vota no governo pelos programas sociais que o governo coloca”, afirmou. Ao mesmo tempo, Bastos defendeu que a solução estrutural passa pela geração de emprego e crescimento econômico.

Em outro trecho da entrevista, ele criticou relações assistencialistas entre políticos e eleitores. “Tem aquele eleitorado que, infelizmente, os políticos até viciaram. Aí eles vão para aquele voto do assistencialismo. O cara vive na miséria. O político chega lá, ajuda com a feira, ajuda com a passagem, ajuda com óculos de grau. E aí esse eleitor vai por esse caminho do voto”, disse.

Bastos ainda fez críticas mais duras ao que chamou de “cadastros” de eleitores em troca de vantagens financeiras. “Isso é uma coisa que está cristalizada na política desse país. Isso é terrível, porque a partir do momento que você compra aquele voto, você não tem compromisso com aquele eleitor e esse eleitor não poderá lhe cobrar”, afirmou.

Segundo o analista, a vulnerabilidade econômica pode tornar esse tipo de prática ainda mais grave. “Muitas vezes, na miséria que o cara vive, o cara prefere vender o seu voto por R$ 200, que não vai resolver a vida dele. Mas é uma forma que ele tem de ganhar alguma coisa”, declarou.

Ao final, Bastos disse acreditar que o maior acesso à informação pode mudar gradualmente o comportamento eleitoral. “Espero que, com a tecnologia, as pessoas tenham mais acesso às informações pelas redes sociais, pelos portais de notícias, porque antigamente as pessoas não tinham tanto acesso às informações”, afirmou.

Para ele, esse acesso pode ajudar o eleitor a analisar melhor os candidatos. “As pessoas começam a se educar, começam a enxergar de uma outra forma, começam a votar em pessoas que, de fato, possam atender às suas necessidades, possam levar o país a ser mais justo, mais fraterno e mais humano”, concluiu.


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