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Alvinho Lira pagou R$ 250 mil de campanha a empresa de primo, diz site

TDL Digital recebeu recursos para produzir identidade visual e material digital de campanha
Divulgação
Alvinho Lira com pai, Arthur, foi eleito
Alvinho Lira com pai, Arthur, foi eleito

O deputado federal eleito Alvinho Lira (PP-AL), filho de Arthur Lira, declarou à Justiça Eleitoral uma despesa de R$ 250 mil com a TDL Digital, empresa pertencente a Tadeu Lira, primo de seu pai. A informação foi revelada nesta quarta-feira, 7, pela colunista Natália Portinari, do UOL.

Segundo a prestação de contas da campanha, a empresa foi contratada para cuidar da “identidade visual e enxoval digital” de Alvinho. O TSE disponibiliza publicamente dados de arrecadação e gastos das candidaturas por meio do sistema DivulgaCandContas.

Alvinho informou ao UOL que todas as despesas da campanha, incluindo a contratação da TDL Digital, serão devidamente declaradas e submetidas à análise da Justiça Eleitoral com a documentação exigida pela legislação. A reportagem destaca que contratar empresas de parentes em campanhas eleitorais não é, por si só, ilegal, desde que os serviços tenham sido efetivamente prestados.

A TDL Digital foi a segunda maior fornecedora da campanha de Alvinho até o levantamento feito pela reportagem. O deputado eleito recebeu R$ 3,1 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, repassados pela direção nacional do PP, e havia declarado até então R$ 1,36 milhão em despesas contratadas.

A empresa também prestou serviços a outras candidaturas em 2026. Marx Beltrão (União-AL), reeleito deputado federal, declarou pagamento de R$ 150,5 mil, enquanto Fernando Soares Pereira (PP), candidato a deputado estadual, registrou despesa de R$ 30 mil. Somados aos R$ 250 mil de Alvinho, os pagamentos chegaram a R$ 430,5 mil.

De acordo com o UOL, as notas fiscais mencionam serviços relacionados à identidade visual, mas a prestação de contas consultada pela reportagem não detalhava quantidade de peças, vídeos produzidos ou período de execução. A publicação afirmou ainda não ter localizado site, perfis em redes sociais ou portfólio público da TDL Digital. A empresa não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem. 

A relação da empresa com integrantes e aliados da família Lira aparece também em eleições anteriores. Em 2024, segundo o levantamento, Joãozinho Pereira e Peu Pereira pagaram R$ 50 mil cada à TDL Digital durante suas respectivas campanhas municipais. Em 2022, a empresa recebeu R$ 420 mil da campanha de Flávio Moreno.

O UOL também informou que a TDL Digital foi contratada em 2021 pela superintendência do Incra em Alagoas, então comandada por César Lira, primo de Arthur Lira. Na ocasião, foram reservados R$ 17,5 mil para a produção de um vídeo sobre obras de calçamento em assentamentos de Maragogi, com recursos provenientes de emenda de relator.

Tadeu Lira também é proprietário da TDL Pesquisa. Segundo a reportagem, o instituto é citado em uma ação que tramita no TRE de Alagoas envolvendo acusações feitas pela coligação do MDB sobre despesas com pesquisas eleitorais. A TDL Pesquisa nega irregularidades e afirma que os levantamentos questionados foram contratados por um portal de notícias com recursos próprios e sem vínculo com campanhas.

Em julho, conforme o UOL, o TRE-AL considerou não registrada uma pesquisa atribuída ao instituto após a empresa indicada como contratante negar ter feito a encomenda, resultando em multa de R$ 53 mil à TDL Pesquisa. 


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