ELEIÇÕES 2020
MDB lembra: vitória de Luciano em Arapiraca não é definitiva
Partido espera que Justiça retire prefeito eleito; Arthur Lira tem derrota dolorosa
A vitória de Luciano Barbosa à Prefeitura de Arapiraca ainda não é definitiva. O MDB sabe disso e espera que a Justiça eleitoral responda a 2 perguntas: 1) Alguém pode ser candidato sem convenção do partido? 2) Alguém pode ser candidato mesmo sem estar filiado a um partido?
Luciano Barbosa - lembra o MDB - foi expulso da legenda. E a convenção realizada por ele é considerada sem validade jurídica. Também existem questões envolvendo o prazo de desincompatibilização dele da Secretaria Estadual de Educação.
Ao mesmo tempo, o partido admite que Luciano só foi eleito por causa das realizações do governo na região- e as digitais de Luciano estão nestas obras, ao lado do governador Renan Filho (MDB).
Beltrão paz e amor
Enquanto rolam os dados em Arapiraca, as urnas revelaram uma nova liderança política no litoral sul: o deputado estadual Marcelo Beltrão (PP). Ele venceu em Coruripe, Jequiá da Praia, Penedo e construiu o nome do irmão a deputado federal em 2022: Marcius Beltrão, atual prefeito de Penedo.
Por outro lado, derrotou o primo e ex-ministro do Turismo, o deputado federal Marx Beltrão, em duas cidades administradas por apoiadores de João Beltrão, pai de Marx: Coruripe (o irmão de João, Joaquim) e Jequiá (filha, Jeannyne Beltrão).
A briga Beltrão x Beltrão desarticula a estratégia de Marx para ser candidato a governador daqui a dois anos. Seu partido, o PSD, ficou reduzido a 4 prefeitos. E Marx corre o risco de ser derrotado a deputado federal pelo primo Marcius.
O apoio de Marx reelegeu Júlio Cezar (PSB) em Palmeira dos Índios, no Sertão, mas não garantiu o mesmo com Padre Eraldo (PSD) em Delmiro Gouveia. O atual prefeito foi derrotado pelo passado: a filha de Lula Cabeleira, Ziane Costa. Marx esteve com o MDB e conseguiu vencer em Matriz de Camaragibe. Cícero Cavalcante, ex-prefeito, elegeu o filho, Fernando, e reelegeu a filha Fernanda na cidade vizinha, São Luís do Quitunde, as duas cidades no litoral norte.
MDB versus PP
Falando em números, o MDB do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho elegeu 38 prefeitos, marca histórica na legenda. Em seguida, o PP do líder do Centrão, Arthur Lira, elegeu 30 prefeitos.
Renan e Arthur são as duas principais forças políticas neste momento e devem se enfrentar nas urnas em 2022, mas indicando pessoas na disputa ao governo.
O MDB, por sua vez, perdeu em Pão de Açúcar. Não ajudou a eleger o prefeito itinerante Cristiano Matheus, ex-Marechal Deodoro. Foi derrotado para alguém mais conhecido na cidade: Jorge Dantas (PSDB).
Por outro lado, o MDB ganhou mais um deputado estadual: em janeiro assume Ronaldo Medeiros, suplente de Marcelo Beltrão, que deixa a função para assumir a Prefeitura de Coruripe.
Venceu também em Marechal Deodoro, mas por uma margem muito apertada: 22 votos, numa eleição cheia de polêmicas, com protestos do derrotado Júnior Dâmaso, mas com denúncias de fraudes refutadas pelo TRE.
Cacau foi reeleito. Ele é irmão do secretário Estadual de Saúde, Alexandre Ayres. O MDB ganhou também em Ibateguara, da família Caldas (de João Henrique Caldas): Néa do Géo derrotou Cezar Augusto Cosme Martins (PSB), candidato da família Caldas, que só obteve 4,78% dos votos.
Em Ibateguara, a mãe e o pai de JHC já foram prefeitos. E Junior Tuté, do PP, derrotou a candidata Maria do Adalberon, do PSD, filha do ex-prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes, condenado pela morte do professor de Educação Artística Paulo Bandeira.
Adalberon, mesmo com tornozeleira eletrônica, participou ativamente da campanha da filha, inclusive com caminhadas pelas ruas.
Derrota de Arthur Lira
Já Arthur Lira amargou sua derrota mais expressiva: em Piranhas, apesar do pai, Benedito de Lira (PP), ter vencido na Barra de São Miguel numa eleição de favas contadas.
Mas em Piranhas Arthur Lira ajudou a levar o presidente Jair Bolsonaro para incrementar a campanha à reeleição de Maristela (PP). Só que Bolsonaro foi inaugurar uma obra de mentira que aumenta a capacidade de abastecimento de água em Piranhas, no distrito de Piau. A obra não funciona; a empresa inventou que a construção foi alvo de vandalismo horas antes da visita presidencial, mesmo sob um fortíssimo esquema de segurança em Piranhas montado um dia antes para receber o presidente da República e nenhuma denúncia da Polícia Federal sobre o crime; além disso, a água foi trazida da adutora de Delmiro Gouveia para a pose de Bolsonaro nas fotos e; Tiago Freitas, sobrinho do deputado estadual Inácio Loiola e oposição a Maristela, venceu a eleição.
Uma derrota que não deve atrapalhar os planos de Arthur Lira: continuar como o mais forte candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara, substituindo Rodrigo Maia (DEM-RJ), e evitar a abertura de pedidos de impeachment contra o presidente. Atualmente tramitam mais de 50 destes pedidos na Câmara, todos na gaveta de Maia.
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