BOLETIM

Mulheres ainda têm baixa presença em cargos de liderança, diz Dieese

Constatações do levantamento têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
Por Estadão Conteúdo 07/03/2025 - 13:20
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Mesmo com avanço em legislações para equidade de gênero no trabalho, as mulheres ainda sofrem com menores remunerações
Mesmo com avanço em legislações para equidade de gênero no trabalho, as mulheres ainda sofrem com menores remunerações

Mesmo com avanço em legislações para equidade de gênero no trabalho, as mulheres ainda sofrem com menores remunerações e oportunidades para ocuparem cargos de liderança. Um boletim especial do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, apesar das mulheres serem 43% do total de ocupados no País, na camada dos 10% de empregados que recebem menos, elas são a maioria, 55%. Porém, entre os 10%, 1% e 0,1% mais bem pagos, as trabalhadoras têm menor representação: 34%, 22% e 11%, respectivamente.

As constatações do levantamento têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do 3º trimestre de 2024. Segundo o instituto, o Brasil contava com 91,2 milhões de mulheres com 14 anos ou mais, das quais 48,1 milhões faziam parte da força de trabalho. Dessas, 44,4 milhões estavam ocupadas no período, e 3,7 milhões, desocupadas - o equivalente a uma taxa de 7,7%. O porcentual fica acima do masculino (5,3%).

A presença feminina em cargos estratégicos continua sendo inferior à masculina por conta da persistência de barreiras estruturais e culturais, avalia a sócia do escritório Vernalha e Pereira, Angélica Petian. Segundo ela, as empresas precisam criar ambientes mais inclusivos, com a "implementação de programas de mentoria para mulheres, políticas de diversidade e canais de denúncia eficazes".

Fora esse fato, as trabalhadoras ainda recebem em média 19,4% a menos do que os homens para exercer as mesmas funções, apontam dados do Ministério das Mulheres e do Trabalho apurados pela GBR Comunicação.

Além disso, conforme o Dieese, diretoras e gerentes ganharam em média por mês R$ 6.798, enquanto homens, nos mesmos cargos, R$ 10.126, uma diferença de R$ 3.328 mensais. Por ano, esse valor equivale a R$ 40 mil a menos para elas.

No País, a pesquisa do departamento mostra que o rendimento médio real mensal para as mulheres é menor: R$ 2.697, enquanto para os homens, R$ 3.459. Na mesma base de comparação, no caso das trabalhadoras com nível superior, o ganho é de R$ 4.885, R$ 2.899 a menos do que o pago aos trabalhadores (R$ 7.784). Além disso, segundo o levantamento, em nenhum Estado brasileiro a média da remuneração mensal feminina supera a masculina.

O tempo tem grande influência nos ganhos salariais. A jornada de trabalho semanal remunerada masculina supera a feminina em 4,3 horas. Já o trabalho feminino sem ganhos financeiros supera em 10 horas o dos homens. O boletim do Dieese mostra ainda que as mulheres gastam 21 dias ou 499 horas a mais em um ano com afazeres domésticos.

A Lei 14.611/2023, de Igualdade Salarial entre Homens e Mulheres, trouxe avanços para atenuar a desigualdade de gênero nesse sentido, com mais transparência salarial e penalidades para empresas que não cumprirem determinações, avalia a GBR Comunicação. Porém, ainda não é suficiente para ter equidade nas remunerações entre homens e mulheres.

Nesse caso, além das medidas apontadas por Petian, o Dieese argumenta que é preciso haver um debate constante e ampliar a participação de mulheres em espaços de negociações e cargos de liderança. A discussão deve ir além do período que antecede o Dia Internacional das Mulheres, em 8 de março.

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