ENTENDA
Porteiro é detido após participar de panelaço contra Flávio em Maceió
Trabalhador foi liberado após prestar esclarecimentos; advogado contesta abordagem policial
Um porteiro identificado como Edmilson foi conduzido à Central de Flagrantes na noite desta sexta-feira, 16, após participar de um panelaço contra o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), no bairro da Ponta Verde, em Maceió.
O trabalhador estava trabalhando quando se juntou à manifestação e recebeu voz de prisão por suposto desacato a um policial militar. Segundo o advogado Matheus Gonzaga, que acompanhou o caso, Edmilson foi liberado após prestar esclarecimentos na delegacia.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Gonzaga relatou que o porteiro participava de um protesto que reunia moradores do próprio condomínio e de outros edifícios e ruas da região. Durante a manifestação, houve um princípio de confusão entre moradores de prédios vizinhos, o que levou ao acionamento da Polícia Militar.
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“O senhor Edmilson estava trabalhando como porteiro no momento do panelaço, juntou-se aos outros moradores, não só do próprio condomínio, mas da rua inteira, do bairro inteiro, que estavam na manifestação”, afirmou o advogado.
Segundo Gonzaga, os policiais conversaram com um dos moradores envolvidos no desentendimento e solicitaram que Edmilson abrisse o portão do prédio onde trabalha. O porteiro estava afastado da guarita e demorou alguns instantes para chegar ao local.
“Quando abriu o portão, ele foi surpreendido, recebeu voz de prisão por ter supostamente desacatado o policial. Então, foi conduzido por esse motivo”, relatou.
Na Central de Flagrantes, o delegado responsável entendeu que a ocorrência deveria ser enquadrada como perturbação do sossego, conforme a explicação do advogado. Após prestar esclarecimentos, Edmilson foi liberado.
Gonzaga, no entanto, questionou também esse enquadramento e afirmou que considera a abordagem uma violação ao direito de manifestação.
"Para mim, também não se sustenta”, disse, ao comentar a imputação de perturbação do sossego. “É um absurdo o que aconteceu hoje aqui em Maceió. É uma violação, um cerceamento da liberdade de expressão, do direito à livre manifestação do senhor Edmilson”, afirmou.
Ao final do relato, Gonzaga defendeu que o caso seja acompanhado e que situações semelhantes sejam questionadas. “A gente vive um momento muito sensível, de combate a esse tipo de violação, de defesa da nossa democracia, e a gente não pode deixar que esse tipo de comportamento permaneça”, declarou.



