CASO PINHEIRO

Escuta pública é marcada por críticas à falta de transparência

Estudo não revela destino de áreas que tiveram de ser abandonadas por milhares de famílias
Afrânio Bastos
Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto, Braskem
Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto, Braskem

Críticas à falta de transparência da Prefeitura de Maceió e ao Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS) desenvolvido pela empresa de gestão social Diagonal marcaram a terceira escuta pública que discute propostas para os bairros destruídos pela exploração do sal-gema pela Braskem. A audiência realizada no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (Cepa) e transmitida pelo canal do Youtube “Mais Diálogos”, na terça-feira, 21, foi marcada por debates quanto ao Eixo 3 do estudo, que trata da “Qualificação Urbana e Ambiental” da região afetada. Vale destacar que durante transmissão ao vivo problemas de áudio, que deixavam os palestrantes mudos ou com o som do microfone estourado, acabaram prejudicando trechos da apresentação.

Durante explanação Geraldo Marinho, urbanista, explicou que “o Eixo 3 aborda a cidade como um todo e procura discutir os efeitos da desocupação dos cinco bairros nas diferentes partes da cidade”. O primeiro tópico discutido foram as condições urbanas ambientais devido à desocupação dos bairros, desativação de comércio e serviços urbanos e realocação de famílias e negócios. Segundo o especialista, os bairros Mutange, Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Farol são o retrato de Maceió como um todo.

"A região que passou pelo processo de desocupação, em alguma medida, lembra Maceió. É uma região que tem área de tabuleiro, área de planície e está de frente para a lagoa e que tinha uma ocupação diversificada com padrões sociais distintos, como moradias precárias e de alto padrão. É uma espécie de retrato da cidade. (...) Esse conjunto de bairros assumia uma posição estratégica dentro do desenho de Maceió, sendo um espaço de transição e de conexão da região central e da região mais periférica da área norte”, explicou ressaltando também que “a desocupação deixou um vazio na cidade, gerando impactos na paisagem e na dinâmica de sua vizinhança”.

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