CRÉDITO ORÇAMENTÁRIO
Governo realoca mais de R$ 1 bilhão para atender pautas do Centrão
Relocação de recursos garante aprovação de propostas de interesse do Executivo no Congresso Nacional
O Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira (4), em sessão conjunta de deputados e senadores, seis projetos que abrem crédito orçamentário para diversos programas e ações de órgãos do governo. As propostas, de autoria do Poder Executivo, seguem para sanção presidencial. Os projetos realocam recursos entre os ministérios com o intuito de fortalecer as emendas parlamentares e ganhar cada vez mais apoio do Centrão no Legislativo.
Uma das propostas, o Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) nº 22/2023, reforça os caixas dos ministérios da Agricultura e Pecuária, da Educação, de Minas e Energia, da Saúde e da Integração e do Desenvolvimento Regional com R$ 1,296 bilhão.
A maior parte dos recursos, cerca de R$ 425 milhões, será destinada para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), comandada pelo engenheiro Marcelo Andrade Moreira Pinto, indicado pelo líder do União Brasil na Câmara dos Deputados, Elmar Nascimento (BA), em 2019, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o projeto, o valor destinado à Codevasf será usado para apoiar projetos de desenvolvimento regional, enquanto a parcela do Dnocs será usada em projetos de desenvolvimento sustentável. Os dois órgãos são subordinados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Além do dinheiro destinado pelo governo federal, a Codevasf concentra emendas parlamentares individuais, recursos destinados pelos deputados e senadores sem critério técnico, apenas político. A companhia é ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, chefiado por Waldez Góes (PDT-PA).
Os recursos enviados para a Codevasf foram retirados do Ministério das Cidades, de Jader Filho (MDB-PA). O orçamento da pasta também foi destinado para o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), dirigido por Fernando Marcondes de Araújo Leão, outro nome indicado pelo Centrão da Câmara ainda no governo Bolsonaro.
O Ministério do Desenvolvimento Social, chefiado por Wellington Dias (PT), perdeu R$ 44 milhões em recursos. O comando da pasta foi pleiteado pelo Progressistas, de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, mas sofreu resistência da alta cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT).
Com essa baixa no orçamento de Wellington Dias, o governo deve destinar R$ 80 milhões para o projeto Calha Norte, do Ministério da Defesa. O programa conta com a supervisão de militares em alguns estados do Norte, grupo que Lula também tenta conquistar mais apoio.
Outro texto aprovado pelo Legislativo foi o PLN nº 19/2023, que tem como objetivo o remanejo de R$ 483 milhões em recursos para a Advocacia-Geral da União (AGU), a Controladoria-Geral da União (CGU), o Ministério da Gestão e da Inovação e outros ministérios.



