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Expectativa de vida em Maceió é de apenas 65 anos, a 2ª menor entre as capitais do Nordeste

Tempo de vida do cidadão é reflexo das iniciativas dos gestores públicos
Por TAMARA ALBUQUERQUE 06/04/2024 - 05:00
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Divulgação
Mapa da Desigualdade é traçado com a análise de indicadores socioeconômicos
Mapa da Desigualdade é traçado com a análise de indicadores socioeconômicos

O brasileiro sabe da profunda desigualdade social que existe no país, pois convive com essa realidade na rotina diária. O que muitas pessoas desconhecem é que os indicadores que estabelecem essa desigualdade social são os mesmos que determinam a expectativa de vida da população.

Baseado nos dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS), é possível afirmar que os brasileiros que vivem nas cidades de Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS) têm maiores chances de chegar aos 72 anos, em média. Porém, os que vivem em Boa Vista (RR) têm uma expectativa de viver apenas 57 anos, em média.

O que influencia no tempo de vida dessas pessoas – e muitos não vão acreditar - é a qualidade e quantidade dos investimentos e políticas públicas. Eis porque é importante eleger pessoas comprometidas com os interesses da população em várias áreas, incluindo saúde, educação, renda, habitação e saneamento. É estarrecedor entender que o tempo de vida do cidadão é reflexo das iniciativas dos gestores públicos.

A expectativa de vida média de quem habita Maceió é de 65 anos. É a mesma observada em Cuiabá (MT), Salvador (BA) e Teresina (PI). As quatro capitais estão muito abaixo do indicador do Rio de Janeiro, por exemplo, que é de 71 anos de vida, em média, apesar da violência e do alto índice de criminalidade naquela cidade.

Fazendo uma comparação com outras capitais do Nordeste, o habitante de Maceió está mais perto do tempo de morte que os moradores de Natal (RN) que têm expectativa de vida de 69 anos; Fortaleza (CE), Recife (PE) e João Pessoa (CE) com 68 anos e Aracaju (SE) com 66 anos. A cidade de São Luís (MA) é a única capital do Nordeste com expectativa de vida abaixo de Maceió com 64 anos, em média.

Essas informações estão catalogadas no Mapa da Desigualdade entre as Capitais do Brasil, estudo produzido pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) e divulgado no dia 26 de março. O mapa revela extremos entre as capitais brasileiras em diversos aspectos. Maceió é citada no quesito Educação, por apresentar o menor índice de pessoas sem instrução ou que possuem ensino fundamental incompleto (30% da sociedade). O oposto é Florianópolis (SC), com apenas 13% das pessoas nessas condições.

O Mapa da Desigualdade entre as capitais pesquisou 40 indicadores socioeconômicos em áreas de atuação do poder público municipal. O coordenador geral do Instituto ICS, Jorge Abrahão, informa que os índices estão diretamente ligados aos investimentos em políticas públicas. “As questões de saneamento, de habitação precária, de qualidade de saúde e educação, de mortalidade infantil, de violência, de homicídios contra jovens, em geral, são números muito ruins nessas cidades que têm uma idade média de morrer muito baixa. Portanto, para conseguir aumentar esse número, significa que o poder público teria que investir em questões centrais para a qualidade de vida das pessoas”.

Abrahão enfatiza que o Brasil é muito eficiente em “produzir políticas para gerar desigualdade”. Segundo ele, é por isso que nós [o Brasil] estamos nesse local, eu diria, vergonhoso de ser um dos dez países mais desiguais do mundo. Se a gente foi capaz de chegar nesse ponto, a gente é capaz de reverter isso com políticas que sejam proporcionadas com esse olhar”.

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IDADE MÉDIA AO MORRER

Belo Horizonte (MG) - 72 anos

Porto Alegre (RS) - 72 anos

Rio de Janeiro (RJ) - 71 anos

Curitiba (PR) - 70 anos

Florianópolis (SC) - 70 anos

São Paulo (SP) - 70 anos

Vitória (ES) - 70 anos

Natal (RN) - 69 anos

Fortaleza (CE) - 68 anos

Goiânia (GO) - 68 anos

João Pessoa (PB) - 68 anos

Recife (PE) - 68 anos

Belém (PA) - 67 anos

Campo Grande (MS) - 67 anos

Aracaju (SE) - 66 anos

Cuiabá (MT) - 65 anos

Maceió (AL) - 65 anos

Salvador (BA) - 65 anos

Teresina (PI) - 65 anos

Rio Branco (AC) - 64 anos

São Luís (MA) - 64 anos

Porto Velho (RO) - 61 anos

Manaus (AM) - 59 anos

Palmas (TO) - 59 anos

Macapá (AP) - 58 anos

Boa Vista (RR) - 57 anos

DESTAQUES E INDICADORES

- População abaixo da linha da pobreza (%)
Melhor indicador – Florianópolis (1% da população)
Pior indicador – Salvador (11% da população)

- Desnutrição infantil (% de crianças menores de 5 anos desnutridas)
Melhor indicador – Teresina (0,44%)
Pior indicador – Salvador (4%)

- Gravidez na adolescência (% de nascidos vivos de mães com 19 anos ou menos)
Melhor indicador – Florianópolis (5,6%)
Pior indicador – Macapá (18%)

- Idade média ao morrer (média de idade das pessoas que faleceram, de acordo com o local de residência)
Melhor indicador – Belo Horizonte e Porto Alegre (72 anos)
Pior indicador – Boa Vista (57 anos)

- Pessoas sem instrução e fundamental incompleto ou equivalente (%)
Melhor indicador – Florianópolis (13,7%)
Pior indicador – Maceió (30,8%)

- Presença de vereadoras na Câmara Municipal (%)
Melhor indicador – Porto Alegre (30%)
Pior indicador – Campo Grande (3,5%)

- Desigualdade de salário por sexo (razão do rendimento médio real das mulheres sobre o rendimento médio real dos homens)
Melhor indicador – Macapá (0,97)
Pior indicador – Campo Grande (0,64)

- Razão do rendimento médio real (negros / não negros)
Melhor indicador – Palmas (0,88)
Pior indicador – Fortaleza (0,42)

- População atendida com esgotamento sanitário (%)
Melhor indicador – São Paulo (100%)
Pior indicador – Porto Velho (5,8%)

- Taxa de desocupação (desemprego)
Melhor indicador – Campo Grande (3,4%)
Pior indicador – Salvador (16,7%)

- Domicílios em favelas (%)
Melhor indicador – Campo Grande (1,4%)
Pior indicador – Belém (55%)


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