Conteúdo do impresso Edição 1319

Paulo Dantas

Governador rejeita aliança com o prefeito JHC

Ele também abre o jogo sobre 2026, nega candidatura e anuncia novos investimentos
Por Odilon Rios 14/06/2025 - 06:00
A- A+
THIAGO SAMPAIO/AGÊNCIA ALAGOAS
Paulo Dantas realiza investimentos em todas as regiões do estado, e JHC conta com respaldo do pai, ex-deputado João Caldas
Paulo Dantas realiza investimentos em todas as regiões do estado, e JHC conta com respaldo do pai, ex-deputado João Caldas

O governador Paulo Dantas (MDB) traçou uma linha no chão, que divide a posição dele e a do prefeito de Maceió, JHC (PL). Em 2026, deixou claro que não estará junto ao prefeito. Entrevistado pelo EXTRA, Dantas reafirmou: não disputará mandato em 2026; adiantou obras que considera como prioritárias até o encerramento da gestão (e promete entregar todas) e, a respeito do prefeito de Maceió, foi taxativo: “Todos sabem que ele não é aliado”.

Dantas era um deputado estadual pouco conhecido quando foi eleito governador de maneira indireta, ou seja, pelos deputados estaduais. Era um nome tampão: completaria o mandato de Renan Filho, cujo vice, Luciano Barbosa, havia deixado o governo para disputar e ganhar a Prefeitura de Arapiraca. Foi para a reeleição, venceu o então senador Rodrigo Cunha (Podemos) e o prefeito JHC com apoio do presidente Lula (PT), dos senadores Renan Calheiros e Renan Filho (MDB), além de deputados estaduais e federais.

Agora, todos os grupos políticos locais querem saber: qual o segundo nome que Dantas vai apoiar na eleição ao Senado, marcada para outubro do próximo ano?

Ele escolheu o primeiro: Renan Calheiros, indo para a quinta reeleição. Existem especulações de que o segundo nome é o do deputado federal Arthur Lira (PP). Assim como também existe uma aproximação explícita dos Calheiros com os Caldas – e isso pode colocar JHC na eleição ao Senado.

O comportamento de Paulo Dantas atesta que esse caminho não agrada. Tomou de volta, após 30 anos, o Mercado de Jaraguá, administrado pela Prefeitura. O prédio pertence à Companhia Alagoana de Recursos Humanos e Patrimoniais (Carhp), que pertence ao Estado. Ali vai montar um centro gastronômico. As reuniões começaram na semana passada com os permissionários, que pedem uma estrutura melhor, mais higiene, banheiros e bastante propaganda para atrair novos clientes, em especial turistas.

Outra briga do Estado com a Prefeitura: o Hospital do Idoso, que está sendo construído na Avenida Durval de Góis Monteiro. A gestão Dantas conseguiu na Justiça uma liminar para tocar as obras, a administração JHC insiste que há riscos por existir uma norma municipal proibindo construção a menos de 500 metros de áreas com produtos inflamáveis e o governo estadual alega que, além de existirem empreendimentos residenciais ao redor do hospital, a distribuidora de gás que travaria as obras – motivo da proibição para instalar o hospital – será retirada do local após desapropriação do terreno via Estado.

O hospital custará R$ 15,2 milhões nas previsões iniciais. E terá 52 leitos, 46 deles para internação além de 10 UTIs e 11 consultórios. Oferecerá serviços de tomografia, raio X, endoscopia, ultrassom, piscina de hidroterapia e laboratório (bioquímica e hematologia).

Finalmente a disputa pelo comando do PSB, sigla que abriu as portas para receber o prefeito de Maceió durante as costuras para a posse do prefeito de Recife, João Campos, como presidente nacional da sigla. Porém Dantas, de forma mais rápida, emplacou a filha Paula em uma secretaria nacional da legenda. O ninho socialista passou a ser uma opção mais distante, ao menos por enquanto, por JHC.

O EXTRA perguntou ao governador: a posição do prefeito em relação ao Hospital do Idoso poderia ser classificada como a de um aliado político? Paulo Dantas respondeu: “Não é e todos sabem que ele não é aliado”.

E continua: “Nós sempre fizemos eleições apartadas, mas eu sempre respeito todo mundo. Eu respeito quem votou em mim e quem não votou”.

Também perguntamos: qual a chance de o senhor pedir votos a JHC numa eventual disputa ao Senado? “Primeiro temos que saber se ele vai renunciar ou não à Prefeitura de Maceió três anos antes [do final do mandato]. E só é candidato quem passar pelas convenções partidárias. Então, nós temos que esperar a eleição chegar”, disse.

Mais adiante, crava: “Eu sou do Sertão, sou de cidade do interior. E uma das nossas características é cumprir com os nossos compromissos”, diz Dantas, adiantando: “Vou ficar até o fim [do governo] porque entendo que Alagoas tem que continuar avançando, quebrando recordes de investimentos, quebrando recordes em índices de desenvolvimento humano e econômico”, afirma.


Encontrou algum erro? Entre em contato