JUSTIÇA
Militares são condenados a penas de até 28 anos por caso Davi Silva
Todos os réus foram condenados por homicídio com qualificadora de motivo fútil e por tortura
Quatro policiais militares foram condenados pelo desaparecimento de Davi Silva nesta terça-feira, 5, após júri popular que durou dois dias realizado no Fórum do Barro Duro, em Maceió.
Carlos Eduardo Ferreira dos Santos e Nayara Silva de Andrade receberam pena de 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão. Ambos também foram condenados a mais um ano, 11 meses e 14 dias de detenção por tortura, conforme decisão do júri.
Victor Rafael Martins da Silva foi condenado a 21 anos, 9 meses e 13 dias de reclusão, além de um ano, 7 meses e 11 dias por tortura. Já Eudecir Gomes de Lima recebeu pena de 28 anos, um mês e três dias de reclusão.
Todos os réus foram condenados por homicídio com qualificadora de motivo fútil e por tortura, além de ocultação de cadáver, em relação ao caso de Davi Silva, conforme a decisão do júri popular ao final da sessão.
O julgamento teve início na segunda-feira, 4, e foi aberto ao público, reunindo familiares, representantes de entidades e membros da sociedade civil. O caso foi acompanhado por organizações que atuam na defesa de direitos e mobilizaram presença na sessão.
Durante o julgamento, o pai de Davi Silva, Cícero Lourenço da Silva, fez um apelo ao júri e aos acusados. “Eu só quero que ele mostre os ossos do meu filho e me dê qualquer coisa. E vai me dizer que meu filho tava fazendo. Eu sou pai dele. Se ele pegou meu filho com roubo ou com fumo na mão, eu também quero que ele me mostre. Qualquer coisa”.
O desaparecimento de Davi Silva
Davi Silva desapareceu em 25 de agosto de 2014, após sair de casa no Conjunto Moacir Andrade, no bairro Benedito Bentes, e ser abordado por policiais militares. Desde então, não foi mais localizado.
De acordo com o inquérito policial, o adolescente teria sido submetido à tortura e morto após a abordagem. Em 2015, o Ministério Público apontou que os quatro acusados deveriam responder por tortura, homicídio e ocultação de cadáver.
O julgamento havia sido adiado anteriormente, o que prolongou a espera por uma decisão judicial. O caso foi acompanhado pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente de Alagoas, que convocou a população, movimentos sociais e a imprensa.
Ao longo dos anos, o desaparecimento mobilizou familiares e entidades de direitos humanos, com cobrança por respostas. Em 2025, a mãe de Davi morreu após anos de mobilização em busca de informações sobre o filho.



