Conteúdo do impresso Edição 1332

XADREZ ELEITORAL

João Caldas articula chapa nacional no DC e prepara primeiro golpe no MDB

Aldo Rebelo virou trunfo do partido para disputar o Executivo nacional em 2026
Wilson Dias/Agência Brasil/Arquivo
Aldo Rebelo virou trunfo do partido para disputar o Executivo nacional em 2026
Aldo Rebelo virou trunfo do partido para disputar o Executivo nacional em 2026

João Caldas, ex-deputado e atual presidente nacional do DC (Democracia Cristã), anunciou a intenção de tornar a sigla mais competitiva em âmbito nacional, convidando Aldo Rebelo, atualmente no MDB, para disputar a Presidência da República. O objetivo inclui consolidar a força política em Alagoas, onde seu filho, JHC, pode disputar o governo do Estado ou o Senado.


O convite a Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma, foi descrito por Caldas como uma possibilidade concreta, destacando a experiência e conhecimento do ex-deputado federal sobre o país. “Aldo conhece o Brasil, tem história, é um cara culto, tem envergadura para ser presidente. Ele conhece o Brasil do Oiapoque ao Chuí”, afirmou Caldas. Segundo ele, as conversas estão “adiantadas” e o ex-presidente da Câmara estaria “bem animado” com a possibilidade.


Não é a primeira vez que o nome de Rebelo é especulado para a corrida presidencial em 2026. Em novembro do ano passado, a jornalista Vera Rosa, do Estadão, publicou que haveria um movimento de articulação nesse sentido. Segundo ela, ele teria o apoio de lideranças políticas, grandes empresários, gente do agronegócio e militares da reserva. Seria mais uma tentativa de emplacar a tal candidatura de “terceira via”.


Atualmente no MDB, Aldo tem feito declarações conservadoras e se envolvido em episódios polêmicos, como testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, no inquérito sobre a tentativa de golpe no STF, e virou peça querida da extrema-direita. Em resposta à Folha de S. Paulo, desmentiu o convite: “É conversa de João Caldas. Nunca falei com ele sobre isso.”


João Caldas assumiu a presidência interina do DC após o afastamento de José Maria Eymael e declarou intenção de reorganizar a sigla em seis meses. A legenda não possui representação no Congresso Nacional, mas recebeu R$ 3,4 milhões do Fundo Partidário em 2024, valor que deve sustentar a expansão e preparação para as eleições de 2026.


No plano estadual, JHC negocia assumir a presidência do União Brasil em Alagoas, posição antes prometida ao deputado federal Alfredo Gaspar. A movimentação permitiria consolidar candidaturas estratégicas, como a da esposa Marina Candia à Câmara Federal, e fortalecer a base política da família Caldas no estado.


A estratégia familiar envolve a ampliação da influência política além da capital, formando um triângulo de poder com João Caldas no DC, JHC no União Brasil e Marluce Caldas no STJ. O objetivo é criar uma estrutura sólida antes de definir alianças eleitorais, sem depender diretamente do Clã Calheiros, como já adiantado pelo EXTRA.


Se a estratégia se concretizar, João Caldas e sua família poderão obter representação significativa em 2026, mesmo sem mandatos atuais, aproveitando a circulação política e a estrutura administrativa em Maceió e interior. A montagem de chapas dependerá de ajustes precisos para ampliar as chances eleitorais.


O DC busca atrair filiados de outras legendas, incluindo prefeitos e parlamentares dissidentes. A movimentação indica que a sigla pretende se consolidar como alternativa política nacional e estadual. O fortalecimento em Alagoas e articulações em Brasília refletem a estratégia de expansão gradual.


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