ELEIÇÕES 2026
Apoio de Lula a Lira divide PT de Alagoas
Partido se prepara para pedir votos ao líder do Centrão
O PT de Alagoas se prepara para balançar a bandeira do deputado federal Arthur Lira (PP), apoiado pelo presidente Lula (PT) na disputa ao Senado. A primeira opção, lógico, é a reeleição do senador Renan Calheiros (MDB).
A posição do partido é constrangedora. Porque assistiu ao descarte do deputado federal Paulão (PT), que se apresentou na disputa ao Senado, mas a própria gestão Lula desidratou a iniciativa, substituindo Paulão pelo líder do Centrão.
Só que o apoio a Lira não é unânime no PT local. O pastor Wellington, por exemplo, crê que Lira se comporta como aliado de Lula por casuísmo, já que é o petista quem está no poder.
“Se quem estiver no poder se chama Bolsonaro ele é aliado de Bolsonaro. No caso nesse momento quem está no poder Lula então ele é aliado de Lula”, disse.
Uma forma de fazer política que não foi inventada por Lira, seguindo “a escola de líderes políticos de Alagoas” como Renan Calheiros e Renan Filho.
“Não esquecer que Renan Calheiros pai votou pelo impeachment da presidenta Dilma e logo em seguida estava defendendo ardorosamente a eleição do nosso atual presidente Lula”, analisa.
“É óbvio que não me sinto à vontade e não apoiaria de forma alguma Arthur Lira, não tenho nada pessoal contra ele. Mas do ponto de vista político o meu candidato ao Senado, caso venha a ser candidato, será o deputado federal Paulão, inclusive com minha pouca força ela estará à disposição de construir essa candidatura necessária e importante para o Brasil”, explica.
Na análise de Wellington, a extrema direita foca na eleição ao Senado nos estados por entender que deve ser derrotada por Lula na disputa presidencial.
“E é óbvio que Arthur Lira seelegendo senador da República,que os seus votos estarão muito mais identificados com as elites,com as pautas conservadoras, mas também mantendo óbvio em tese o discurso do Direito, do Estado Democrático de Direito. Por isso, repito: o meu candidato ao Senado da República por Alagoas é o companheiro Paulão”.
Dafne Orion, presidente do Sindicato dos Urbanitários, diferencia as críticas a Arthur Lira da política de aliança nacional.
“Nós do campo progressista em Alagoas temos muitas críticas a Arthur lira por, justamente no seu papel de presidente da Câmara, não ter tentado conter os absurdos do Governo Bolsonaro. Os acordos se dão a nível partidário e hoje Arthur Lira não passa despercebido em nenhum governo, pois se fortaleceu ampliando suas bases políticas. Isso tem lhe garantido espaços importantes.
Mas nós sabemos diferenciar a política de aliança nacional que é necessária para se concretizar uma candidatura à Presidência
das nossas demandas e alianças locais”, afirma.
Mas a federação PP União Brasil está desembarcando do governo, o que deve mexer nas composições. Como fica? “Certamente isso fará com que a possibilidade de aliança futura seja reavaliada. Até 2026 muita água vai rolar”, analisa Orion.
É notório que Arthur Lira domina estatais federais estratégicas em Alagoas. Uma delas é o Incra, diretamente responsável pela reforma agrária. Nos governos Lula, o Instituto era de indicação do PT alagoano. Isso mudou após Lula 3, quando Arthur
Lira passou a dar as cartas no Incra. Como fica essa questão? “É público que os movimentos pela terra têm críticas e insatisfações não só com a dificuldade em se concretizar a reforma agrária, como também com a forma mais resistente com que o Incra vem lidando
com as pautas. Boa parte devido à dificuldade de diálogo com a gestão. Mas ao mesmo tempo tem demonstrado muita maturidade ao compreender que ainda estamos vivendo um momento de tensão muito grande de defesa das nossas pautas. Fruto de uma profunda contradição entre o programa do governo eleito nas urnas e o Congresso que não compreende o seu papel de representar o interesse do povo”, explica. E continua:
“O governo tem com muita habilidade conseguido dialogar com a população que começa a dar sinais de que não vai mais aceitar a pauta descolada do Congresso. Eu não tenho dúvidas que esse é o caminho para que a gente avance”.
Presidente do PT de Alagoas e deputado estadual, Ronaldo Medeiros acredita que a aliança com Arthur Lira é fundamental para manter uma maioria na Câmara dos Deputados. Maioria que o Governo Lula sem Lira, não tem.
“Creio que um pedaço de Arthur Lira é melhor do que nada”, diz. Para ele, o deputado é uma espécie de bolsonarista híbrido, ou seja, diferente dos outros onde não existe espaço para diálogo.
Nos bastidores, nomes que não quiseram mostrar o rosto se sentiram mais à vontade para defender até um plano de sabotagem contra Arthur Lira, insistindo, mesmo admitindo pouca convicção para isso, no nome de Paulão ao Senado. Seria uma forma de evitar entregar, de maneira rápida demais, a militância petista para os braços do líder do Centrão.
“É lógico que é constrangedor para o PT apoiar Arthur Lira. Mas nós reconhecemos a péssima articulação do Governo Lula na Câmara e reconhecemos que Arthur Lira é fundamental nesse processo. Mas ele se comporta não como aliado e sim como algoz”, analisa um petista bem situado.



