Conteúdo do impresso Edição 1341

DISPUTA VIRTUAL

Nas redes, calheirismo e caldismo moldam eleições 2026

Guerra de narrativas inclui governador, primeira-dama de Maceió, asfalto e roda-gigante
Por Odilon Rios 15/11/2025 - 06:00
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Assessoria
O prefeito JHC e o ministro Renan Filho: disputa de gigantes
O prefeito JHC e o ministro Renan Filho: disputa de gigantes

O calheirismo e o caldismo se dividiram nas redes sociais para vencer, entre emojis, likes e com antecipação, as eleições do próximo ano, principalmente em um momento em que as pesquisas apontam bastante proximidade nos números da disputa ao Governoentre o ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) e o prefeito de Maceió JHC (PL).

Enquanto Renan chegava ao final da viagem de caminhão e pelas estradas entre Brasília e Belém para acompanhar a COP 30, mostrando obras, realizações da pasta e fazendo propaganda da gestão Lula (PT), o prefeito investia na inauguração da roda-gigante;
no depoimento do vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) sobre o empreendimento privado e na foto, com ares oficiais, de mais gente agregada ao grupo político que ele quer montar e liderar, com o deputado Antônio Albuquerque (Republicanos) e o ex-presidente da Assembleia Legislativa Celso Luiz.

Na foto estava o irmão de Celso, o prefeito e pré-candidato a deputado estadual Tenorinho Malta, cortejado pelo calheirismo e pelo lirismo, e que abriu as portas para JHC.

JHC busca mostrar força política e eleitoral no PL, após o deputado federal Arthur Lira (PP) atrair Gunnar Nunes Nicácio do partido comandado pelo prefeito para o seu PP.

JHC se mostra nas redes como pré-candidato ao Governo, mesmo sem declarar publicamente como faz o ministro Renan, também impulsionado pelo vice Rodrigo Cunha (Podemos), à espera da saída de Jota da Prefeitura.

Enquanto isso, a primeira-dama Marina Cândia, que mantém suas redes com acesso privado, pendurava vídeo reavivando a memória do eleitor no instante em que o prefeito comemorou a reeleição.

Enquanto isso, a primeira-dama Marina Cândia, que mantém suas redes com acesso privado, pendurava vídeo reavivando a memória do eleitor no instante em que o prefeito comemorou a reeleição.

É fato: o Governo sabe que pequenas ações adotadas por JHC na vida real crescem nas redes sociais e acabam sendo tratadas como fatos extraordinários. Foi o caso, em setembro, da remoção de 469 toneladas de entulho da rede de drenagem e da assinatura do Termo de Compromisso para a construção de uma policlínica na parte alta da capital. Dois assuntos que receberam 69% das menções positivas.

Por outro lado, na guerra de narrativas, o Governo acumulou 74% de menções positivas na “Operação Sertanejo”, prendendo suspeitos ligados ao tráfico e ao comércio ilegal de armas, e no apoio ao 1º Festival Canções e Sabores do Sertão, em Pão de Açúcar. Ou seja: dois assuntos aparentemente bem distantes um do outro — segurança pública e cultura.

A viagem do governador Paulo Dantas (MDB) à COP 30, realizada em Belém, para levar experiências de Alagoas na preservação do meio ambiente, mostra que ele ainda é a ponta de lança do calheirismo. Dantas na rua significa associação aos nomes do senador
Renan Calheiros (MDB) e do ministro Renan, ou seja, dois personagens que são candidatos em 2026. Roupas e gestos entre os três são os mesmos, incluindo tom de voz e narrativas, como se viu recentemente na propaganda eleitoral do MDB. Quando o chefe do
Executivo estadual anunciou o “maior concurso público da história de Alagoas” e a concessão de bolsas de pesquisa para o combate às fake news, Paulo Dantas teve 98% das menções positivas nas redes sociais. Ao lado dele estavam Renan Calheiros e o vice Ronaldo Lessa, também se comportando como candidato, talvez a deputado federal ou estadual.

Enquanto isso, JHC buscava superar a rusga pública com Arthur Lira, evitando expor fora das quatro paredes os desentendimentos internos do grupo político. O prefeito passou a ser um ator importante para Lira ter votos em Maceió na corrida ao Senado, talvez com mais votos que Renan Calheiros, e num terreno onde ambos se parecem: Lira e Renan têm forte desgaste em Maceió.

JHC permanece distante de Lula, nas redes não fala de política e se comporta como gestor de uma empresa. Foi assim com a inauguração da roda-gigante. Arthur Lira faz o mesmo: o nome de Lula não é citado nas entregas oficiais promovidas por estatais federais, como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), cujos indicados são liristas, apesar da base que sustenta os votos do ex-presidente da Câmara estar composta pela distribuição de cargos em estatais federais e por emendas parlamentares.

Entre os petistas locais, reconhece-se que Lira acena ao bolsonarismo, mas ele é um ponto de equilíbrio nas negociações com a Câmara dos Deputados, regida pelo seu sucessor Hugo Motta (Republicanos-PB). Lira também é útil para atrair votos ao PT, em aliança informal pelos interiores de Alagoas, levando em conta que, em algumas cidades, o calheirismo e o lirismo deram uma
trégua na briga entre grupos políticos nas prefeituras para ajudar, mesmo por debaixo dos panos, Lira e Renan a se elegerem ao Senado.


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