ALERTA EM MACEIÓ
Estudo científico internacional revela que afundamento do solo atinge 30 bairros
Fenômeno tem causas multifatoriais e constitui risco de inundações, erosão costeira e lagunar e instabilidade de taludes em toda a cidade
No início desta semana, uma informação divulgada pelo engenheiro e especialista em cálculo estrutural Marcos Carnaúba impactou uma parte da população de Maceió que vive em alerta quanto aos efeitos nocivos que a extração de sal-gema pela Braskempor 40 anos ainda pode acarretar ao meio ambiente na capital.
Desta vez, porém, a informação sobre instabilidade do solo da capital alagoana revela que o afundamento ou subsidência pode não estar restrito às áreas já conhecidas e evacuadas do Pinheiro, Mutange, Bom Parto, Bebedouro e Farol. Trata-se de fenômeno que está afetando outras áreas, entre as quais Tabuleiro do Martins, na parte alta da cidade, e Ponta Verde, este um dos bairros economicamente mais valorizados de Maceió e considerado o “coração do problema”.
Não é presságio. Não é um sinal, indício ou sentimento que prenuncia um acontecimento futuro, como um agouro ou intuição. A informação faz parte do estudo técnico “Além da Mineração de Sal: Caracterização de Pontos Críticos de Subsidência Urbana em Maceió”, publicado no dia 9 de dezembro do ano passado e que é subscrito por Thyago Anthony Soares Lima, Magdalena Stefanova
Vassileva, Zhuge Xia e Sílcio Jorge Coelho Simões, cientistas com formação no Brasil e em países como China e Alemanha.
Marcos Carnaúba recorda, inclusive, que Magdalena Vassileva, especialista de Potsdam, cidade que abriga um dos mais reconhecidos centros de pesquisa em geodinâmica e sismologia do mundo e que fica na Alemanha, esteve em Maceió para conhecer e firmar contrato de trabalho com a Prefeitura de Maceió – que não vingou – no auge das descobertas do afundamento dos bairros.
“Talvez o mar não esteja subindo. Talvez o continente esteja afundando”, argumentou o engenheiro em entrevista na segunda
semana de dezembro ao podcast Estruturando Soluções. Carnaúba contesta a interpretação recorrente de que o avanço do mar seja
o principal fator de risco na orla de Maceió. Em sua avaliação, o fenômeno pode ser inverso: o solo estaria descendo, afundando, alterando a relação entre continente e nível do mar.
O novo estudo começa lembrando que o afundamento do solo em Maceió provocado pela mineração irregular da Braskem desencadeou uma grave crise urbana, resultando em evacuações em massa, deslocamento populacional e destruição parcial ou total de bairros. Alerta, no entanto, que a “extensão total e os mecanismos subjacentes além do epicentro da mineração permanecem obscuros”.
Neste caso, o novo estudo apresenta uma avaliação abrangente do afundamento do solo em toda a cidade por um período de oito anos (2016–2024). Os dados de movimento do solo foram obtidos pelo SBAS-InSAR (Sentinel-1), uma técnica avançada de sensoriamento remoto que usa dados de radar da constelação Sentinel-1 da ESA para monitorar deformações da superfície terrestre (subsidência, elevação, deslizamentos) com precisão centimétrica. Outras técnicas também foram aplicadas para reforçar a segurança dos dados e resultados.
Esses dados foram integrados ao contexto geológico e geomorfológico, ao mapeamento da densidade de poços e às métricas físico-
-ambientais e morfológicas para delinear e caracterizar zonas de subsidência na capital alagoana.



