EMBATE
Futuro das contas de Rui Palmeira deve ser definido até o final do mês
Câmara pode votar na mesma sessão orçamento de 2026 e gastos do ex-prefeito
A Câmara de Vereadores de Maceió deve analisar em sessão marcada para o dia 29 dois temas distintos na mesma pauta: a votação da Lei Orçamentária Anual de 2026 e o julgamento das contas de 2020 do ex-prefeito Rui Palmeira (PSD), hoje integrante do Legislativo municipal e praticamente oposição isolada ao prefeito JHC (PL).
A inclusão das contas do ex-gestor na ordem do dia surgiu a partir de articulações internas envolvendo o Executivo. Conforme relatos de bastidores,
o prefeito JHC teria solicitado a apreciação do processo, com indicação de que a Mesa Diretora tende a acatar o pedido.
O movimento ocorre paralelamente às tratativas sobre o repasse do duodécimo ao Legislativo. O reajuste não foi incorporado à proposta orçamentária
encaminhada pelo Executivo ao final de 2025, o que abriu espaço para negociações entre os dois poderes.
O duodécimo corresponde a uma transferência obrigatória prevista na Constituição, calculada com base na arrecadação do exercício anterior. Estimativas
elaboradas pela Câmara apontam que, para 2026, o valor devido seria cerca de seis milhões de reais superior ao previsto no projeto original.
Apesar de a base governista ser maioria, não há definição sobre o desfecho da votação das contas. Parte dos vereadores que hoje apoiam JHC integrou
a base de Rui durante sua gestão, o que gera incerteza quanto ao posicionamento final.
No apagar das luzes de 2025, no dia 29 de dezembro, a Comissão Parlamentar de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara Municipal de Maceió definiu os vereadores responsáveis pela relatoria das contas da gestão do ex-prefeito. Vale ressaltar que o prefeito JHC conta com o apoio declarado de 24 dos 27 vereadores.
A liquidação do Banco Master, que vinha sendo usada como argumento político pela oposição ligada a Rui, teve impacto limitado no plenário. Paralelamente, a base governista retomou a análise das contas do ex-prefeito referentes a 2016- 2020.
A Controladoria-Geral do Município encaminhou ainda em outubro ofício à Câmara apontando possíveis inconsistências no cumprimento do percentual mínimo constitucional destinado à Educação no último ano da gestão de Rui.
No plenário, o vereador relacionou o movimento à atuação que exerce como oposição. Ele mencionou notificações recebidas após críticas aos aportes do
IPREV no Banco Master e no Nest Eagle, associando o momento ao aumento dos questionamentos ao Executivo.
A Controladoria, por outro lado, informou que a apuração busca esclarecer o atendimento às exigências legais da área educacional. O procedimento
inclui análise de documentos, contratos e demonstrativos financeiros do período examinado.
Único ex-prefeito de capital do Nordeste a exercer mandato de vereador, Rui Palmeira atravessa fase de desgaste político em Maceió. Com o retorno das atividades legislativas em um ano eleitoral, seu nome não aparece em sondagens para disputas majoritárias ou proporcionais.
Rui iniciou a carreira política em família tradicional, foi eleito deputado estadual em 2006, passou pela Câmara Federal e comandou a Prefeitura de Maceió por dois mandatos. Em 2020, encerrou a gestão com reprovação registrada em pesquisa nacional.
No primeiro ano de mandato como vereador, concentrou críticas à gestão municipal. Em 2026, Rui inicia o ano sem articulações conhecidas para novos
cargos eletivos, sem liderança de blocos ou comissões relevantes e sob risco de perda de espaço partidário em meio às negociações nacionais da sigla.



