Política
Bolsonaro mandou matar Lula? Entenda o que diz a denúncia
PGR afirma que ex-presidente sabia de plano para matar Lula, Alckmin e Moraes e concordou com a ação
A pergunta “Bolsonaro mandou matar Lula?” ganhou força nas buscas do Google nesta terça-feira, 20, após uma mobilização do deputado federal André Janones (Rede-MG), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar incentivou apoiadores a pesquisar a frase, ampliando a circulação do assunto nas redes e nos mecanismos de busca.
A repercussão resgata a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre um plano para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em 18 de fevereiro de 2025, a PGR apresentou ao STF uma denúncia segundo a qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha conhecimento e havia concordado com o planejamento das ações. Batizado de “Punhal Verde Amarelo”, o plano integrava, conforme a acusação, uma série de iniciativas golpistas para impedir a transição de governo após as eleições de 2022.
Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o plano foi levado ao conhecimento de Bolsonaro, que teria dado aval às ações previstas. O documento previa o monitoramento das autoridades e cogitava o uso de armas contra Moraes e a morte de Lula por envenenamento.
A denúncia incluiu Bolsonaro e outras 33 pessoas entre os acusados de envolvimento na tentativa de golpe de Estado. As acusações abrangiam crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.
Como o plano foi elaborado
De acordo com a denúncia, o plano “Punhal Verde Amarelo” foi impresso em 9 de novembro de 2022, no Palácio do Planalto, pelo general da reserva Mário Fernandes, então assessor da Presidência da República. No mesmo dia, ele teria levado o documento ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente.
A PGR afirmou que registros de entrada e mensagens obtidas durante a investigação indicavam que Bolsonaro tinha conhecimento das articulações. Em um áudio de WhatsApp citado na denúncia, Fernandes relata ao tenente-coronel Mauro Cid uma conversa com o então presidente sobre o momento em que as ações poderiam ser executadas.
Na gravação, Fernandes afirma que Bolsonaro teria dito que a diplomação de Lula, marcada para 12 de dezembro, não impediria a realização de uma ação e que ela poderia ocorrer até 31 de dezembro. O general teria defendido que os envolvidos agissem o quanto antes, alegando que outras oportunidades já haviam sido perdidas.
Segundo a acusação, o plano não ficou restrito à elaboração de documentos. A PGR afirmou que integrantes do grupo monitoraram Lula e Moraes e planejaram ações que poderiam envolver explosivos, armas ou envenenamento.
De acordo com Gonet, os preparativos para a execução estavam concluídos em 15 de dezembro de 2022, mas a operação não foi realizada porque os envolvidos não conseguiram obter, na última hora, o apoio do comando do Exército.
A denúncia também mencionou outros documentos encontrados durante as investigações, incluindo um plano que terminava com a frase “Lula não sobe a rampa”.
O que diz a denúncia sobre Bolsonaro
Na peça apresentada ao STF, Paulo Gonet afirmou que Bolsonaro sabia do plano e havia concordado com ele. A acusação relacionou o planejamento dos assassinatos à tentativa de impedir a posse do governo eleito e manter o então presidente no poder.
A denúncia, porém, deve ser diferenciada de uma condenação específica por ordenar o assassinato das autoridades. A PGR apresentou sua interpretação das provas reunidas na investigação, e a responsabilização criminal por cada conduta depende da análise judicial correspondente.



