XADREZ POLÍTICO
Dirceu aponta risco eleitoral para Lula com Renan Filho: “Irá custar a eleição!”
Nome do ministro que pretende disputar o governo estadual é cogitado para vice-presidência
Uma das pessoas mais próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apontada como articulador político, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu manifestou oposição à indicação de Renan Filho ou Hélder Barbalho como vice na chapa presidencial e alertou para risco eleitoral caso Geraldo Alckmin seja substituído.
“Tirar o Alckmin da chapa do Lula irá custar a eleição”, declarou Dirceu durante reunião da Executiva Nacional do PT, realizada em São Paulo, nesta segunda-feira, 23. A fala ocorreu em meio às discussões internas sobre a composição da candidatura à reeleição em
2026.
Na última edição, o EXTRA revelou que o nome do ex-governador de Alagoas já enfrentava resistência no MDB das regiões Sul e Sudeste.
Dirigentes dessas áreas se posicionam como entrave a uma eventual aliança formal com Lula, incluindo a indicação de Renan Filho para a vice.
Dirceu se soma a setores do partido que defendem a manutenção da atual composição, formada por Lula e Geraldo Alckmin. Outra ala, no entanto, propõe que o MDB passe a integrar oficialmente a chapa, com a indicação de um nome da legenda, como Renan Filho ou Hélder Barbalho.
Entre os defensores da permanência de Alckmin, a avaliação é de que o atual vice tem papel estratégico para garantir competitividade em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. A substituição, segundo esse grupo, poderia comprometer o desempenho eleitoral.
Já os que defendem a mudança argumentam que Alckmin cumpriu sua função em 2022 e que a entrada formal do MDB ampliaria o tempo de propaganda eleitoral e reduziria o risco de o partido apoiar outra candidatura presidencial.
No MDB, a posição de Dirceu converge com a do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor.
Na semana passada, diante de especulações sobre a vice, ele defendeu que Renan Filho seja candidato ao governo estadual.
Em publicação nas redes sociais, Marcelo Victor afirmou que o MDB de Alagoas indica Renan Filho como principal nome para disputar o governo, citando a experiência do senador e ministro dos Transportes na gestão estadual.
Deputados estaduais ligados ao grupo defendem que Renan Filho seja o único nome para suceder o governador Paulo Dantas, o que tem mantido a coesão interna entre lideranças locais.
O MDB do Sul e Sudeste concentra parcela da estrutura partidária nacional. Dirigentes dessas regiões exercem influência nas decisões da cúpula e defendem autonomia em relação ao Palácio do Planalto, ampliando a resistência à aliança automática com Lula.
Renan Filho confirmou pré-candidatura ao governo de Alagoas, mas tem defendido publicamente a aproximação entre PT e MDB. Em entrevista a O Globo, publicada no dia 8, afirmou que a ampliação da aliança pode fortalecer a candidatura presidencial.
Segundo ele, a composição com o MDB permitiria ocupar o centro político e isolar o bolsonarismo. O ministro também avaliou que a divisão da direita e a eventual retirada de candidaturas estaduais impactariam o cenário nacional.
Atualmente, a vice-presidência é ocupada por Geraldo Alckmin, do PSB, partido que já sinalizou interesse em repetir a chapa de 2022. Internamente, setores do PT reconhecem que a mudança pode gerar desgaste político, mas veem possibilidade de ampliar alianças.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou intenção de disputar a reeleição estadual e indicou apoio ao senador Flávio Bolsonaro em eventual candidatura presidencial, contrariando a leitura de retração do campo adversário.
Dentro do MDB, prevalece a avaliação de que, caso o partido aceite integrar uma chapa com Lula, o nome indicado para vice deveria ser do Sul ou Sudeste, como forma de reduzir resistências regionais e equilibrar a composição.
Outra corrente defende neutralidade na eleição presidencial de 2026 ou o lançamento de candidatura própria. O nome do ex-presidente Michel Temer voltou a ser citado em discussões internas, sem definição formal.



