Conteúdo do impresso Edição 1353

XADREZ POLÍTICO

Dirceu aponta risco eleitoral para Lula com Renan Filho: “Irá custar a eleição!”

Nome do ministro que pretende disputar o governo estadual é cogitado para vice-presidência
PAULO PINTO/AGENCIA BRASIL
Para José Dirceu, Alckmin deve se manter ao lado de Lula
Para José Dirceu, Alckmin deve se manter ao lado de Lula

Uma das pessoas mais próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apontada como articulador político, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu manifestou oposição à indicação de Renan Filho ou Hélder Barbalho como vice na chapa presidencial e alertou para risco eleitoral caso Geraldo Alckmin seja substituído.

“Tirar o Alckmin da chapa do Lula irá custar a eleição”, declarou Dirceu durante reunião da Executiva Nacional do PT, realizada em São Paulo, nesta segunda-feira, 23. A fala ocorreu em meio às discussões internas sobre a composição da candidatura à reeleição em
2026.

Na última edição, o EXTRA revelou que o nome do ex-governador de Alagoas já enfrentava resistência no MDB das regiões Sul e Sudeste.
Dirigentes dessas áreas se posicionam como entrave a uma eventual aliança formal com Lula, incluindo a indicação de Renan Filho para a vice.

Dirceu se soma a setores do partido que defendem a manutenção da atual composição, formada por Lula e Geraldo Alckmin. Outra ala, no entanto, propõe que o MDB passe a integrar oficialmente a chapa, com a indicação de um nome da legenda, como Renan Filho ou Hélder Barbalho.

Entre os defensores da permanência de Alckmin, a avaliação é de que o atual vice tem papel estratégico para garantir competitividade em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. A substituição, segundo esse grupo, poderia comprometer o desempenho eleitoral.

Já os que defendem a mudança argumentam que Alckmin cumpriu sua função em 2022 e que a entrada formal do MDB ampliaria o tempo de propaganda eleitoral e reduziria o risco de o partido apoiar outra candidatura presidencial.

No MDB, a posição de Dirceu converge com a do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor.

Na semana passada, diante de especulações sobre a vice, ele defendeu que Renan Filho seja candidato ao governo estadual.

Em publicação nas redes sociais, Marcelo Victor afirmou que o MDB de Alagoas indica Renan Filho como principal nome para disputar o governo, citando a experiência do senador e ministro dos Transportes na gestão estadual.

Deputados estaduais ligados ao grupo defendem que Renan Filho seja o único nome para suceder o governador Paulo Dantas, o que tem mantido a coesão interna entre lideranças locais. 

O MDB do Sul e Sudeste concentra parcela da estrutura partidária nacional. Dirigentes dessas regiões exercem influência nas decisões da cúpula e defendem autonomia em relação ao Palácio do Planalto, ampliando a resistência à aliança automática com Lula.

Renan Filho confirmou pré-candidatura ao governo de Alagoas, mas tem defendido publicamente a aproximação entre PT e MDB. Em entrevista a O Globo, publicada no dia 8, afirmou que a ampliação da aliança pode fortalecer a candidatura presidencial.

Segundo ele, a composição com o MDB permitiria ocupar o centro político e isolar o bolsonarismo. O ministro também avaliou que a divisão da direita e a eventual retirada de candidaturas estaduais impactariam o cenário nacional.

Atualmente, a vice-presidência é ocupada por Geraldo Alckmin, do PSB, partido que já sinalizou interesse em repetir a chapa de 2022. Internamente, setores do PT reconhecem que a mudança pode gerar desgaste político, mas veem possibilidade de ampliar alianças.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou intenção de disputar a reeleição estadual e indicou apoio ao senador Flávio Bolsonaro em eventual candidatura presidencial, contrariando a leitura de retração do campo adversário.

Dentro do MDB, prevalece a avaliação de que, caso o partido aceite integrar uma chapa com Lula, o nome indicado para vice deveria ser do Sul ou Sudeste, como forma de reduzir resistências regionais e equilibrar a composição.

Outra corrente defende neutralidade na eleição presidencial de 2026 ou o lançamento de candidatura própria. O nome do ex-presidente Michel Temer voltou a ser citado em discussões internas, sem definição formal.


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