FAZENDA DUAS BOCAS
Família de agricultor contesta recurso de Álvaro Vasconcelos
Herdeiros pedem imediata devolução das terras e classificam como inválida audiência realizada após a morte de Antônio Cândido
Os herdeiros do agricultor Antônio Cândido da Silva protocolaram impugnação aos embargos de declaração apresentados pela defesa de Álvaro Vasconcelos do Monte Filho e pedem a manutenção da sentença que reconheceu a invasão, pelo empresário, de 154,83 hectares da Fazenda Duas Bocas, em Maceió. A família também requer a restituição imediata da área após decisão judicial que determinou a devolução das terras e o pagamento de indenização pelo uso da propriedade.
Filho de Antônio Cândido, um dos herdeiros, afirma que o principal ponto de contestação é a tentativa da defesa de validar uma audiência realizada em 2001, mais de um ano após a morte do agricultor que ocorreu em março de 2000.
“Essa audiência que originou a sentença foi uma farsa. Meu pai já estava morto havia mais de um ano. Na audiência só estavam presentes o réu e as testemunhas dele. Meu pai não poderia se defender porque já havia falecido”, declarou.
Segundo o herdeiro, Antônio Cândido trabalhou durante anos em duas áreas da Fazenda Duas Bocas: uma como proprietário e outra como arrendatário. Ele sustenta que o empresário adquiriu apenas a parte pertencente ao antigo Hospital Colônia, mas passou a ocupar também as terras que pertenciam ao agricultor.
“A Justiça reconheceu, por meio de perícia e sentença, que a área não é dele. Somos os verdadeiros donos e queremos nossa terra de volta”, afirmou.
De acordo com a versão apresentada pela família, a história da propriedade remonta à década de 1950, quando a Fazenda Duas Bocas foi dividida em três partes. Uma foi adquirida pela família Vasconcelos, outra pelo Hospital Colônia e a terceira por José Aparício, o Paulista, que posteriormente a vendeu a Antônio Cândido.
O herdeiro relata que seu pai chegou à região em 1972, após trabalhar por duas décadas na Usina Cachoeira do Meirim. Inicialmente, arrendou a área pertencente ao hospital e depois, ao comprar a outra área, continuou trabalhando nas duas.
Segundo ele, o conflito teria começado após Vasconcelos adquirir a área do Hospital Colônia, em 1982. “A gente era arrendatário do hospital e meu pai também já trabalhava na parte que adquiriu. Ele (Álvaro) comprou apenas a área do hospital e não a parte que é do meu pai. A posse que teve sobre essas terras surgiu depois que ele invadiu e expulsou todo mundo de lá. Temos documentos que comprovam que meu pai comprou e que desde a invasão lutamos para ter nossa terra de volta”, declarou.



