BAIRROS AFUNDANDO
Buraco pode surgir nas regiões afetadas pela mineração, diz geólogo da Defesa Civil
Bairros afetados estão se movimentando cerca de 34 centímetros por ano
O geólogo do Centro Integrado de Monitoramento e Alerta de Defesa Civil (Cimadec), Antonioni Guerrera revelou nesta quinta-feira, 31, que algumas regiões próximas às cavidades de mineração nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto estão se movimentando cerca de 34 centímetros por ano e que buracos podem surgir na superfície a qualquer momento. Os dados, segundo ele, foram obtidos através de 28 equipamentos de GPS instalados nas regiões.
A revelação foi feita através da Defesa Civil Municipal em comunicado à imprensa para detalhar a instalação de mais dez sensores GPS, que medem a movimentação de solo em superfície. Os equipamentos passam a fazer parte de outros que monitoram a área afetada pela instabilidade provocada pela mineração, em Maceió.
Os novos equipamentos foram instalados pela Braskem e serão somados aos dados de interferometria, visitas de campo, vistorias e outros estudos que auxiliarão os diversos profissionais que atuam diariamente no monitoramento do maior desastre em atividade no país.
O geólogo destaca ainda que é através desse monitoramento por GPS e via satélite que os profissionais do Centro Integrado de Monitoramento e Alerta de Defesa Civil (Cimadec) conseguem ter taxas, velocidades e acumulados dessa movimentação.
"Há regiões próximas às cavidades de exploração de sal-gema que registram subsidências com níveis de até 34cm/ano na área mais crítica", explicou.
Para o especialista, esta movimentação de solo, provocada pela desestabilização das cavernas, traz dois grandes riscos associados. O primeiro deles é a ascensão das cavidades que foram exploradas em profundidade até a superfície, provocando o risco de sinkhole ou dolinamento – como é mais conhecido.
“Literalmente é um buraco que pode surgir na superfície. É difícil prever quando isso vai acontecer e, por este motivo, a Defesa Civil trabalha com risco iminente. E isso levou a recomendação de realocação nas áreas afetadas pelo possível dolinamento e interdição e fechamento de trecho da Avenida Major Cícero de Góes Monteiro, assim como da linha férrea”, explicou Antonioni.
Um outro processo que afeta os bairros está associado à movimentação do solo é o afundamento ou movimento lateral que gera danos nas edificações. Por este motivo, muitas casas começaram a apresentar fissuras e rachaduras, gerando risco para os moradores.
“Esta área é um pouco maior, ela se estende além da região onde estão as cavidades e gera todo este fraturamento e rachaduras que a gente evidencia em campo. E isso envolve basicamente todos os bairros que hoje contemplam o Mapa da versão 4: Bebedouro com parte do Flexal de Baixo e de Cima, Mutange, Pinheiro, Bom Parto e agora algumas evidências em parte do Farol”, ressaltou o geólogo.
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