BAIRROS AFUNDANDO

Buraco pode surgir nas regiões afetadas pela mineração, diz geólogo da Defesa Civil

Bairros afetados estão se movimentando cerca de 34 centímetros por ano
Por Bruno Fernandes com Defesa Civil 31/12/2020 - 14:21
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Afrânio Bastos
Bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto estão afundando
Bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto estão afundando

O geólogo do Centro Integrado de Monitoramento e Alerta de Defesa Civil (Cimadec), Antonioni Guerrera revelou nesta quinta-feira, 31, que algumas regiões próximas às cavidades de mineração nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto estão se movimentando cerca de 34 centímetros por ano e que buracos podem surgir na superfície a qualquer momento. Os dados, segundo ele, foram obtidos através de 28 equipamentos de GPS instalados nas regiões.

A revelação foi feita através da Defesa Civil Municipal em comunicado à imprensa para detalhar a instalação de mais dez sensores GPS, que medem a movimentação de solo em superfície. Os equipamentos passam a fazer parte de outros que monitoram a área afetada pela instabilidade provocada pela mineração, em Maceió.

Os novos equipamentos foram instalados pela Braskem e serão somados aos dados de interferometria, visitas de campo, vistorias e outros estudos que auxiliarão os diversos profissionais que atuam diariamente no monitoramento do maior desastre em atividade no país.

O geólogo destaca ainda que é através desse monitoramento por GPS e via satélite que os profissionais do Centro Integrado de Monitoramento e Alerta de Defesa Civil (Cimadec) conseguem ter taxas, velocidades e acumulados dessa movimentação.

"Há regiões próximas às cavidades de exploração de sal-gema que registram subsidências com níveis de até 34cm/ano na área mais crítica", explicou.

Para o especialista, esta movimentação de solo, provocada pela desestabilização das cavernas, traz dois grandes riscos associados. O primeiro deles é a ascensão das cavidades que foram exploradas em profundidade até a superfície, provocando o risco de sinkhole ou dolinamento – como é mais conhecido.

“Literalmente é um buraco que pode surgir na superfície. É difícil prever quando isso vai acontecer e, por este motivo, a Defesa Civil trabalha com risco iminente. E isso levou a recomendação de realocação nas áreas afetadas pelo possível dolinamento e interdição e fechamento de trecho da Avenida Major Cícero de Góes Monteiro, assim como da linha férrea”, explicou Antonioni.

Um outro processo que afeta os bairros está associado à movimentação do solo é o afundamento ou movimento lateral que gera danos nas edificações. Por este motivo, muitas casas começaram a apresentar fissuras e rachaduras, gerando risco para os moradores.

“Esta área é um pouco maior, ela se estende além da região onde estão as cavidades e gera todo este fraturamento e rachaduras que a gente evidencia em campo. E isso envolve basicamente todos os bairros que hoje contemplam o Mapa da versão 4: Bebedouro com parte do Flexal de Baixo e de Cima, Mutange, Pinheiro, Bom Parto e agora algumas evidências em parte do Farol”, ressaltou o geólogo.

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