CORONAVIRUS

População questiona diferenças no avanço na vacinação entre municípios

Por Tâmara Albuquerque 26/06/2021 - 16:29
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Ascom Maceió
Diferença entre grupos etários na vacinação confunde população
Diferença entre grupos etários na vacinação confunde população

Na segunda-feira, 28, completa um mês que o Ministério da Saúde autorizou a vacinação contra o coronavírus na população em geral, dos 18 aos 59 anos, simultaneamente com os grupos prioritários apontados no Programa Nacional de Imunização (PNI). Nesse período, 80% dos Municípios conseguiram imunizar pessoas não idosas (abaixo dos 60 anos) sem comorbidades. Desse total, apenas 6% estão vacinando a população na faixa etária abaixo de 45 anos.

Os dados são da pesquisa semanal mais recente realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) que tem o objetivo de entender a realidade dos gestores no combate à pandemia de coronavírus. Foram ouvidos 64,5% dos municípios brasileiros e, apesar de não ser a totalidade das unidades federativas, o cenário revela que entre as cidades existem fatores que fazem a fila andar mais rápido. A ausência de uniformidade é vista como normal pelos gestores. Entre os motivos podem estar a diferença na logística de distribuição das doses, a variação no número de pessoas por faixa etária e até a falta de coordenação federal da campanha.

É dessa forma que pessoas com idades iguais são vacinadas antes ou depois, dependendo de qual cidade reside, o que gera ansiedade e questionamentos sobre a vacinação. A diferença é observada até entre municípios de um mesmo estado. Quem mora em Maceió, por exemplo, já pode se vacinar nesta quarta-feira (23) se tiver 48 anos. Entretanto, em União dos Palmares a vacina já chegou para quem tem 40 anos. A falta de um coordenador para a campanha de vacinação contra o coronavírus também é apontada pelos gestores como a causa das discrepâncias que são observadas.

O Ministério da Saúde definiu quais eram os grupos prioritários para receber a vacina, definiu até algumas categorias dentre esses grupos, mas não chegou a determinar um calendário nacional por idade. Isso teria gerado as diferenças no acesso à vacina. É por conta de diversos fatores que Maceió e Aracaju, por exemplo, dentro de 11 dias registram diferença de quase 10 anos na faixa etária que está sendo vacinada.

Os dados das duas cidades mostram que Aracaju tem uma população estimada em 664.908 mil, aplicou mais de 246 mil doses de vacinas, e a faixa etária atual é de 40 anos. Na cidade, as vacinas são distribuídas em 17 unidades básicas +7 pontos fixos + 1 drive thru. Maceió tem população estimada em mais de 1 milhão, aplicou mais de 464 mil doses de vacinas, a faixa etária atual é de 48 anos e os pontos de vacinação são 2 drive thru + 6 pontos fixos. Não é possível saber se o que fez a fila andar foi maior número de pontos de vacinação ou menor população, mas quanto mais cedo se avança na estratégia, mais perto de frear a transmissão do vírus e evitar as formas graves da doença.

Casos


A pesquisa da CNM também traz dado preocupante: 34% dos Municípios apontaram para o aumento no número de casos confirmados de Covid-19 na última semana. Outros 31% afirmaram que o cenário está estável e 17% ter havido diminuição do número. Em relação aos óbitos pela doença, 18% apontaram aumento; 45% estabilidade; e 20% queda. Ao serem analisados os dados por porte de Municípios, observa-se que o maior aumento se deu nos Municípios pequenos e médios (34%). Nas grandes cidades esse percentual ficou em 27%. Medidas restritivas de circulação de pessoas ou atividades econômicas estão sendo adotadas por 66% das prefeituras.

A pesquisa também revelou que nesta semana, 562 Municípios (16%) ficaram sem vacinas para dar continuidade ao plano de imunização. Desse percentual, 73% afirmaram terem ficado sem vacinas para a primeira dose e 43% sem a segunda, o que indica que algumas localidades ficaram sem nenhuma vacina no estoque. Na edição anterior da pesquisa, realizada entre os dias 7 e 10 de junho, 15% dos Municípios responderam que ficaram sem imunizante.

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