Agência Brasil
Advogados de Pazuello poderão fazer "intervenções pontuais” no lugar do general
A coluna assinada pela jornalista Cristina Lemos, no R7, publicou nesta manhã que, ao contrário das expectativas, o ex-ministro da Saúde não pretende lançar mão do recurso de permanecer em silêncio durante seu depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (19). “Ele irá responder a todas as perguntas”, declara o advogado Zoser Hardman, interlocutor do time que atua na defesa do general. E revela parte da estratégia: “Ele não entrará em rota de colisão. Ou, ao menos, evitará ao máximo cair em provocações”. E acrescenta, “para isso ele está preparado”.
Segundo Hardman declarou à jornalista, o habeas corpus concedido pelo STF permite que os advogados atuem “de forma mais incisiva” durante a sessão. A ideia é que os defensores de Pazuello intercedam para “questionar perguntas subjetivas e impressões pessoais sobre o presidente”. Ainda não se sabe como os senadores reagirão a estas intervenções. Usualmente, em CPIs, a palavra dos advogados é rejeitada e aceita apenas a orientação ao depoente.
O ex-ministro, conhecido pelo temperamento e padrão de atitude de general, teve de acatar a orientação de sua defesa, de recorrer ao Habeas Corpus. “Não sou covarde”, repete usualmente o general, sempre que colocado diante da situação de evitar o confronto. A mesma resposta era dada todas as vezes que Pazuello era perguntado se pediria demissão do ministério.
O general comparecerá à CPI munido de dados, planilhas com datas, reuniões, compras, registros de repasses de verbas, gráficos sobre a evolução da pandemia - a maioria, informações que Pazuello domina de memória, em função dos depoimentos à Polícia Federal e ao próprio senado, em Comissão Geral. As últimas revelações da CPI também estão mapeadas para a resposta aos senadores.
As medidas jurídicas foram cautelares - adotadas para o caso de a situação fugir ao controle, explicam auxiliares do ministro. A tese de que o Planalto teria abandonado Pazuello é descartada pelos assessores mais próximos. “Abandonado como? Com a AGU defendendo? Com contato diário com o Onix? E contato constante com Bolsonaro?”, destacam.
E descartam a possibilidade do ministro responsabilizar direta ou indiretamente o presidente da República por erros na condução da pandemia. A lealdade de Pazuello nunca esteve em questão para o Planalto. No entanto, também não se espera que o ministro chame para a si a culpa pelos resultados da gestão federal, que Pazuello defenderá com firmeza.
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