História e inflação

Uno a R$ 13,5 mil e gasolina a R$ 1,77: como eram os preços no ano do penta

Brasil conquistou a Copa de 2002 em meio à inflação alta e dólar em disparada
Acervo CBF
Jogadores comemoram a quinta estrela conquistada em Yokohama
Jogadores comemoram a quinta estrela conquistada em Yokohama

Enquanto o Brasil comemorava o pentacampeonato da Copa do Mundo em 2002, a economia vivia um momento de instabilidade. Inflação elevada, dólar em alta, juros recordes e incertezas com as eleições presidenciais marcaram o ano em que a Seleção venceu a Alemanha por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo, na final disputada no Japão.

Na época, os preços eram muito inferiores aos atuais. O litro da gasolina custava, em média, R$ 1,77, o etanol saía por R$ 0,94 e o diesel por R$ 1,07, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O carro zero-quilômetro mais barato do país era o Fiat Uno Mille, vendido por R$ 13.577. Outros produtos e serviços também tinham valores que hoje parecem baixos, como ingressos de cinema, celulares, eletrodomésticos e itens da cesta básica.


Apesar disso, economistas alertam que comparar apenas os preços pode levar a conclusões equivocadas. Em 2002, o salário mínimo era de R$ 200, contra R$ 1.621 em 2026, e o poder de compra da população era menor.

O mais importante é analisar quantos produtos o trabalhador conseguia comprar com o salário da época.
Muitos produtos pareciam baratos, mas eram mais difíceis de adquirir devido aos juros elevados, ao crédito restrito e à renda menor das famílias.

Além da conquista da Copa, 2002 também foi marcado por um cenário econômico turbulento. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 1,5%, o desemprego chegou a 11,7% e a inflação encerrou o ano em 12,53%.

Durante o período eleitoral que levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência pela primeira vez, o dólar chegou próximo de R$ 4, pressionando ainda mais os preços. Para conter a inflação e estabilizar o câmbio, o Banco Central elevou a taxa Selic para cerca de 25% ao ano, encarecendo empréstimos e financiamentos.

O Brasil também enfrentava reflexos da crise energética de 2001 e precisou recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que aprovou um pacote de ajuda de US$ 30,4 bilhões, o maior da história da instituição até aquele momento.

Para especialistas, a lembrança de que "tudo era mais barato" no ano do penta desperta nostalgia, mas não reflete, sozinha, a realidade econômica vivida pelos brasileiros, já que renda, inflação e acesso ao crédito eram bastante diferentes dos atuais.

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